26 Jun, 2025

Fnam critica falha informática que fechou urgências no Amadora-Sintra

Federação Nacional dos Médicos denuncia “negligência” e “falta de investimento” após falha informática encerrar urgências e afetar vários serviços no Hospital Fernando Fonseca.

Fnam critica falha informática que fechou urgências no Amadora-Sintra

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) classificou como “inadmissível” a falha informática que, nos últimos dias, levou à suspensão da atividade nas urgências do Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (HFF), em Amadora-Sintra. A estrutura sindical denuncia uma “negligência alarmante” e aponta responsabilidades ao Ministério da Saúde pela falta de investimento nas infraestruturas do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“Ocorre uma interrupção grave numa unidade hospitalar periférica, que serve uma vasta população e que já está permanentemente sobrecarregada. Isto não é um simples incidente técnico. É reflexo direto da falta de manutenção de sistemas essenciais e da ausência de planos de contingência eficazes”, critica a Fnam em comunicado divulgado esta terça-feira.

A avaria, que condicionou não só as urgências mas também outros serviços — como consultas, exames, cirurgias e até a emissão de receitas, que passou a ser feita manualmente — levou o hospital a suspender temporariamente o funcionamento normal. O próprio HFF confirmou, em comunicado, que a quebra total do sistema informático obrigou ao encerramento das urgências, apelando à população para contactar a linha SNS24 para alternativas de atendimento.

“Lamentamos os transtornos causados e reafirmamos o compromisso de trabalhar com máxima urgência para restabelecer os sistemas e retomar a atividade normal o mais rapidamente possível”, adiantou a ULS Amadora/Sintra.

Segundo a presidente da Fnam, Joana Bordalo e Sá, o problema informático teve impacto direto em “serviços críticos para o funcionamento hospitalar”, expondo “mais uma vez fragilidades estruturais do SNS”. Para a federação, este episódio é sintomático da falta de um plano estratégico de modernização dos hospitais públicos, que continua a não existir mesmo após anos de alertas por parte dos profissionais.

“A saúde dos utentes e a dignidade das condições de trabalho dos profissionais do SNS não podem continuar a ser postas em causa por falhas evitáveis”, sublinha a Fnam, que exige um plano nacional de manutenção e modernização das infraestruturas hospitalares. O apelo inclui áreas críticas como climatização, energia, segurança e suporte informático.

A Fnam acusa o Ministério da Saúde, liderado por Ana Paula Martins, de seguir a mesma linha do anterior executivo ao não apresentar um plano de investimento sólido que previna “falhas graves que colocam em risco a segurança dos doentes e aumentam o desgaste dos profissionais”.

O hospital anunciou entretanto que, pelas 10h desta terça-feira, os sistemas começaram a ser restabelecidos e a atividade nas urgências retomada de forma gradual. Ainda assim, a federação médica alerta que, sem mudanças profundas nas prioridades políticas, episódios semelhantes tenderão a repetir-se com maior frequência.

SO/Lusa

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