12 Jan, 2022

Estudo do ISPUP revela agravamento de sintomas de depressão e ansiedade com pandemia

23,1% dos participantes do estudo desenvolveu sintomas de ansiedade num nível moderado e 17% de depressão.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), que envolveu 929 pessoas, concluiu que a maioria dos participantes com sintomas de depressão e ansiedade relacionou o seu agravamento com a pandemia da covid-19.

Em declarações à agência Lusa, a investigadora Ana Sofia Aguiar explicou que o estudo, publicado na revista ‘Journal of Affective Disorders Reports’, surgiu da “necessidade de avaliar o impacto da pandemia da covid-19 na saúde mental dos portugueses”.

Na investigação, que teve por base um questionário ‘online’ com uma amostragem em bola de neve, participaram 929 pessoas, na sua maioria mulheres (70,9%) e com um nível de ensino superior (75,4%).

Mais de metade dos participantes tinha idades compreendidas entre os 18 e os 39 anos e viviam na região Norte do país (63,5%).

A informação, recolhida entre novembro de 2020 e fevereiro de 2021, permitiu aos investigadores concluir que dos 929 participantes, 26,9% apresentaram sintomas de ansiedade, 7% de depressão e 20,4% ambos os transtornos, “sobretudo após o início da pandemia”.

A par disso, 23,1% dos participantes desenvolveu sintomas de ansiedade num nível moderado e 17% de depressão, também num nível moderado.

“Não esperava encontrar uma prevalência tão alta, dado que temos uma população altamente escolarizada que esteve mais resguardada dos impactos económicos e sociais que a pandemia fez prevalecer no nosso país”, afirmou Ana Sofia Aguiar.

Segundo a investigadora, “a grande maioria dos participantes (521) relacionou o agravamento dos sintomas de ansiedade e depressão com a pandemia”.

Dos mais de 900 participantes, 7.9% ficaram desempregados desde o início da pandemia da covid-19 e 6,8% encontravam-se numa situação de insegurança alimentar, isto é, por motivos económicos não conseguia aceder a alimentos nutricionalmente adequados.

“Concluiu-se que as pessoas com idades mais jovens, as mulheres, os cidadãos mais escolarizados e que se encontravam numa situação de insegurança alimentar apresentaram um risco acrescido de ter sintomas de ansiedade”, acrescentou.​​​​​

Face aos resultados obtidos, Ana Sofia Aguiar destacou que “continua a haver uma necessidade enorme de se investir na saúde mental”.

“Neste momento, ainda existe estigma e mística em torno do que é a saúde mental. Isto é muito mal-encarado pela população em geral e esse ainda é o problema”, disse.

A par do estigma associado à saúde mental, a investigadora defendeu que outro dos problemas é “a falta de uma comunicação adequada”.

“Em termos de agenda de saúde pública e do país, deve ser dada particular atenção ao peso da incapacidade associada aos transtornos de ansiedade em Portugal”, acrescentou.

A investigação faz parte do projeto de doutoramento de Ana Sofia Aguiar, que recebeu financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e do Programa Fundo Social Europeu.

LUSA

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