2 Mar, 2022

Estratégia de “zero casos” coloca China em posição débil a longo prazo

A ausência de circulação do vírus no país asiático significa que os chineses têm menos imunidade, alerta um especialista chinês.

A estratégia de tolerância zero à covid-19 adotada pela China coloca o país mais populoso do mundo numa posição “débil” face à doença, apontou um especialista chinês, num artigo que contrasta com a linha oficial de Pequim.

A ausência de circulação do vírus no país asiático significa que os chineses têm menos imunidade, apontou um dos principais especialistas do país, num artigo publicado, na segunda-feira, na rede social Weibo, o equivalente ao Twitter na China.

“A taxa de infeção natural do povo chinês é cem ou mil vezes menor do que a dos países ocidentais, e a barreira imunológica depende inteiramente das vacinas”, observou Zeng Guang, ex-especialista – chefe do Centro Nacional de Controlo e Prevenção de Doenças.

“Este baixo índice de infeção natural foi uma vitória gloriosa, mas é hoje uma fraqueza”, acrescentou.

A China, onde o coronavírus foi detetado pela primeira vez, no final de 2019, é um dos últimos países a adotar uma política de tolerância zero em relação ao novo coronavírus, num período em que a maioria das nações está a aprender a viver com a doença.

Ao longo de dois anos, as autoridades relataram pouco mais de 100.000 casos de contaminação e 4.636 mortes.

As fronteiras do país estão praticamente fechadas. Quem chega do exterior é sujeito a três semanas de quarentena. Cidades são colocadas em confinamento assim que são detetados alguns casos.

O regime comunista celebra esta política de saúde como prova da superioridade do seu sistema político, em relação ao “caos” no Ocidente.

A estratégia de “zero casos” não pode permanecer para sempre e o “objetivo de longo prazo da humanidade é coexistir com o vírus”, com taxas aceitáveis de morbidade e mortalidade, defendeu Zeng.

Ele disse que os países ocidentais estão a mostrar uma “coragem admirável” ao aprender a conviver com o vírus e a China deve “observar e aprender” com essa experiência.

“Num futuro próximo, quando chegar a hora, terá que ser apresentado um roteiro para uma coexistência, ao estilo chinês, com o vírus”, sugeriu o académico, que foi um dos especialistas por detrás da resposta inicial do país à epidemia.

A estratégia de Pequim pesa sobre a atividade económica. Um recente surto provocado pela variante Ómicron, em Hong Kong, levantou questões sobre a sustentabilidade da abordagem chinesa.

No verão passado, outro especialista, Zhang Wenhong, defendeu posições semelhantes, mas foi acusado nas redes sociais de ser um “traidor”.

Desde então, foi objeto de uma investigação por plágio.

LUSA

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