14 Abr, 2021

Especialistas aconselham governo a travar desconfinamento

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes recomenda "prudência" perante a subida do Rt e da incidência. Especialistas pedem que se aguarde uma semana.

Vários especialistas em Saúde Pública vieram já recomendar ao governo que adie a entrada em vigor da próxima fase de desconfinamento, prevista para a próxima segunda-feira, 19, sublinhando que esse é “o caminho da prudência” numa altura em que tanto o Rt como a incidência estão com uma tendência crescente.

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes, que deixou de participar nas reuniões no Infarmed em fevereiro, recomendou ao Governo que este não avance para a terceira fase de desconfinamento por causa do crescimento do Rt — que já está acima de 1 — e do aumento da incidência.

Ou seguimos o caminho da prudência e o caminho que mostra que aprendemos as lições do passado ou prosseguimos dogmaticamente o calendário do desconfinamento como se estivesse tudo normal”, afirmou o epidemiologista, em declarações ao jornal i. O especialista sugere que se aguarde de modo a avaliar melhor a situação.

A mesma opinião tem a pneumologista Raquel Duarte, autora do projeto de desconfinamento pedido pelo Governo. “Devemos dar passos mais pequenos, mas seguros, que não prejudiquem o que se conseguiu até agora”, defendeu a médica ao Diário de Notícias. “Seria prudente esperar mais uma semana para ter a fotografia total da realidade no país, já com o impacto do desconfinamento na Páscoa e com a reabertura de alguns setores no dia 5 de abril, para se tomar depois uma decisão sobre o que fazer”, sugeriu a especialista.

O matemático Óscar Felgueiras, especialista em epidemiologia e que também tem colaborado com o governo, sublinha que “por um princípio de prudência, o ideal seria aguardar mais uma semana para se ter uma melhor perceção” da evolução dos indicadores.

No dia 08 de abril, o último sobre o qual havia dados, o Rt atingiu já os 1,09, quando na anterior reunião do Infarmed (23 de março) o valor deste índice se situava em 0,89. Já a incidência está nos 71 novos casos por 100 mil habitantes, o que representa uma subida ligeira em relação aos 65 da última semana – ainda assim longe dos 120 novos casos por 100 mil definidos pelo governo como linha vermelha.

SO
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