27 Mai, 2021

Esclerose múltipla. SPEM quer estatuto do doente crónico reconhecido pelo Parlamento

A propósito do Dia Mundial da Esclerose Múltipla - que se assinala a 30 de maio - o presidente da SPEM, Alexandre Silva, apelou para que as “esferas social e política” tenham “um olhar diferente” sobre a doença que afeta cerca de oito mil pessoas em Portugal.

A Sociedade Portuguesa de Esclerose Múltipla (SPEM) quer ver reconhecido pela Assembleia da República o estatuto do doente crónico, onde a esclerose múltipla (EM) está inserida, de acordo com o Consenso Nacional para a patologia.

A propósito do Dia Mundial da Esclerose Múltipla – que se assinala no próximo domingo (dia 30 de maio) – o presidente da SPEM, Alexandre Silva, apelou para que as “esferas social e política” tenham “um olhar diferente” em relação à doença que afeta cerca de oito mil pessoas em Portugal.

“É preciso colocar a pessoa com EM no centro [dos cuidados de saúde]. Isto significa uma reorganização dos serviços, neste caso das consultas e centros de EM para que as várias especialidades médicas e terapêuticas que são necessárias para ajudar estes doentes possam concorrer todas de forma harmoniosa para a melhoria da sua qualidade de vida”, disse Alexandre Silva, em declarações à agência Lusa.

É por isso, acrescenta, que “advogar pelos centros de excelência é uma das maiores prioridades”.

“Não é preciso gastar dinheiro para que isto aconteça, é apenas necessária uma reorganização do que já está disponível no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Acreditamos que até permitirá poupar recursos porque ao haver uma resposta mais atempada às pessoas, a doença e os custos a ela associada não irão progredir tanto”.

Alexandre Silva afirma que, desta forma, “as pessoas conseguiriam ficar mais tempo ativas e a trabalhar”, o que “é muito importante para o país”.

Estas propostas resultaram do Consenso Nacional de Esclerose Múltipla, que contou com outras associações, partidos, ordens profissionais, médicos e académicos, para além do ministério da saúde.

O presidente da SPEM considerou esta iniciativa ainda mais relevante no contexto da pandemia de covid-19, que veio piorar, de forma geral e por vezes “dramática”, a condição das pessoas que vivem com esclerose múltipla.

“Se a vida antes já era muito exigente, com a pandemia tornou-se ainda mais. Esta é uma doença que não gosta das pessoas presas e quando temos de estar confinados em casa com muito menos atividade regular, a doença ganha espaço”, expõe. Alexandre Silva disse à Lusa que várias pessoas “tiveram um agravamento muito rápido e imparável da doença e outras faleceram não com covid-19, mas pela situação que veio impedir que tivessem um acompanhamento terapêutico conveniente, nomeadamente sessões de terapia da fala e fisioterapia – as quais são críticas para a função respiratória e para a alimentação”.

Para além de outras iniciativas que ocorreram durante este mês para assinalar o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, vai realizar-se, neste fim de semana, um piquenique saudável, uma corrida e marcha virtual pelo país com transmissão pelas redes sociais, que conta ainda com a difusão do evento de talentos internacional “Tune in for MS” (em português, “Sintonizados pela EM”) que junta artistas com a doença ou simpatizantes da causa.

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