17 Dez, 2021

Entrevista. É fundamental um equilíbrio para não interromper a vida, diz Graça Freitas

"Temos de ser felizes, continuar a ter vida de relação, vida social, vida emocional, não podemos interromper a nossa vida, já o fizemos por alguns períodos", refere a diretora-geral da Saúde.

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, considera fundamental que, na luta contra a covid-19, as pessoas encontrem um equilíbrio “para não interromper a vida”, porque é importante a vida social.

Numa entrevista à agência Lusa a propósito da época festiva que se aproxima e do aumento de casos de uma nova variante do vírus que provoca a doença covid-19, a Ómicron, já considerada de risco muito elevado, a responsável pede moderação de comportamentos, mas também apela para que as pessoas sejam felizes.

“Entretanto temos de ser felizes, continuar a ter vida de relação, vida social, vida emocional, não podemos interromper a nossa vida, já o fizemos por alguns períodos, porque tínhamos muita incerteza, medo, porque não sabíamos exatamente o que nos esperava nem o comportamento do vírus. Mas (…) já passaram dois anos, já sabemos que não podemos dizer com certeza absoluta o que vai acontecer nas próximas semanas ou meses, aprendemos que o vírus varia, mas temos de encontrar um equilíbrio para não interromper a vida, porque só temos esta”, disse à Lusa.

Quando questionada se a Direção-Geral da Saúde (DGS) poderia tomar medidas mais restritivas nos próximos tempos Graça Freitas já tinha falado desse equilíbrio, e da necessidade de se ir adaptando o comportamento e as medidas ao comportamento do vírus.

“Para nos permitir viver entretanto, e ter vida, não podemos estar nem sempre confinados, nem sempre completamente à vontade. Este equilíbrio não é fácil, mas é esse que temos”, afirmou.

A situação hoje é diferente, salientou a diretora-geral, lembrando que há mecanismos de vigilância epidemiológica, nacionais, europeus e mundiais, “muito melhores do que eram no início da pandemia”, que a ciência também evoluiu e que é mais fácil antecipar picos (da epidemia) e medidas que sejam necessárias.

“Temos de viver com este espírito. Que o que é válido para esta semana pode ter que ser reforçado para a próxima semana, e depois andar outra vez para formas mais leves de vida, e temos de viver nestes equilíbrios. Creio que as pessoas sabem o que devem fazer”, disse.

Graça Freitas considerou que Portugal estará entre a fase dois e três do plano de contingência da DGS, sendo que a fase três contempla o aparecimento de uma nova variante e um aumento da transmissão do vírus e acrescentou que é preciso aguardar para saber mais das características da nova variante Ómicron, e admitiu que em relação ao ano passado na mesma altura, a população tem menos medo da covid-19.

“Noto as pessoas com menos medo, mas não noto as pessoas com menos responsabilidade no seu dia a dia”, disse, acrescentando: “não estando com medo estão a cumprir as regras”.

Faz parte da natureza humana, salientou, saber lidar com as ameaças e não viver sempre amedrontado. E os portugueses têm sabido cumprir as regras, o que se vê também na boa adesão à vacinação e à testagem. “Creio que isso significa maturidade da população”.

Mas nada é “absolutamente estanque”. Por isso admite que as medidas (escolas encerradas ou teletrabalho, por exemplo) restritivas impostas até dia 09 de janeiro podem prolongar-se, ou que podem surgir outras.

“Tudo depende da evolução do vírus”, diz, acrescentando que as medidas se vão adequando, de forma equilibrada, para permitir uma vida “tão perto quanto possível” da que existia antes do surgimento do novo coronavírus.

Para já, insiste, é preciso apostar na vacinação, nos autotestes, nas máscaras, na higienização das mãos, no distanciamento social.

E Graça Freitas acredita que a população vai continuar a aderir à terceira dose da vacina, e faz um apelo nesse sentido.

“O que digo aos portugueses, e não só aos portugueses, é que se vão vacinar”, porque a vacinação “continua a ser necessária para a sua proteção”.

Em relação à vacinação de crianças, Graça Freitas admite que a adesão não é a que gostaria. Mas acrescenta: “Mas também temos a experiência do grupo anterior, dos 12 aos 17 anos”, de que as pessoas à medida que o processo decorre “vão adquirindo confiança”.

A taxa de vacinação dos 12 aos 17 anos “aproxima-se muito dos outros grupos etários apesar de ter também tido um início que não foi o que gostaríamos”, disse, reafirmando o mesmo apelo: se nos podemos proteger devemos fazê-lo.

LUSA/SO

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