19 Abr, 2021

“Durante a pandemia, a líbido dos casais aumentou substancialmente”

Os cuidados com a saúde íntima devem ser uma constante na vida das mulheres, por isso a ginecologista Maria do Céu Santo deixa alguns conselhos.

Os cuidados com a saúde íntima devem ser uma constante na vida de adolescentes e mulheres adultas. Segundo a ginecologista-obstetra Maria do Céu Santo, houve nestes últimos anos uma adesão generalizada às consultas de ginecologia, sendo este igualmente um fator positivo no que concerne à saúde sexual das mulheres portuguesas.

 

Qual a idade aconselhada para a primeira consulta de ginecologia?

Não podemos afirmar que existe uma idade especifica para a primeira consulta. Tantos os homens como as mulheres têm um desenvolvimento físico e intelectual muito individual.

As raparigas devem ser vistas por um especialista sempre que queiram, tendo em conta que essa necessidade pode revelar a existência de dúvidas que precisam de ser esclarecidas. Devem ainda dirigir-se a uma consulta de ginecologia em situações de desconforto físico como o aparecimento de dismenorreias fortes (dores abdominais) relacionadas com a menstruação, ou devido a dermatites de contacto severas (comumente conhecidas como assaduras), resultantes do uso de pensos higiénicos.

 

Qual o método aconselhado para fazer a higiene íntima?

Algumas mulheres relatam sentir dores durante as relações sexuais e isso deve-se a preocupações excessivas com a sua higiene vaginal, que acabam por secar a mucosa vaginal – é por isso aconselhado o uso de lubrificantes.

O melhor método para uma adolescente fazer a sua higiene íntima, no caso de não ter qualquer sintomatologia associada, é tão simplesmente água e sabão. Produtos neutros, como sabonetes de glicerina são os mais recomendados na adolescência e também depois da menopausa.

 

Sente que ainda existem tabus na ida à ginecologista?

Nos últimos cinco anos a forma de comunicação mudou totalmente. A comunicação social teve um papel importantíssimo nesta mudança de paradigma e as mulheres já vão à consulta de ginecologia exclusivamente por causa da sua sexualidade. Eu tenho observado que em todos os grupos etários e sociais já há uma adesão generalizada à consulta de ginecologia, para a resolução de problemas de saúde ginecológicos, de problemas sexuais, bem como na busca de soluções.

 

Qual a importância da menopausa na vida da Mulher?

A menopausa é uma fase complicada, que é uma peça de um puzzle chamado envelhecimento. É uma fase complicada na vida de algumas mulheres, tendo em conta que há uma baixa nas hormonas femininas, nomeadamente o estrogénio e a progesterona. Muitas mulheres têm alguns sintomas vasomotores, como afrontamentos, irritabilidade, sono fracionado, alguma incontinência urinária e secura vaginal. Verifica-se normalmente 45-55, sendo a média portuguesa os 52 anos. Há ali uma fase, cerca dos 48 anos em que há um pico hormonal, onde se verifica um aumento acentuado da líbido e uma afetividade que não é real, tratando-se apenas da desregulação hormonal.

Chamo ainda à atenção para a importância de fazer cosmética vulvar a partir desta fase. Devem ser usados cremes vaginais hidratantes diariamente, bem como lubrificantes durante a relação sexual, de modo a manter uma boa saúde vaginal.

 

Que impacto está a ter a pandemia na vida amorosa e sexual dos casais?

Um impacto curioso do confinamento reflete-se na líbido dos casais. Nas relações em que um dos membros esteve infetado e, por isso, os membros tiveram que estar afastados durante o período de isolamento, deu-se uma reaproximação muito visível tanto a nível amoroso – no que concerne à partilha e à preocupação com o outro – bem como a nível sexual. Por isso, podemos afirmar que, durante a pandemia, a líbido dos casais aumentou substancialmente, tendo sido originada por essa privação um do outro a que foram sujeitos. As mulheres que são minhas pacientes referem que ainda hoje, já passados alguns meses desse momento de contágio, a líbido e preocupação mútua mantêm-se.

Daniela Tomé

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