Despesa do SNS com medicamentos atingiu valor recorde de 4.417 milhões de euros em 2025
A despesa do Serviço Nacional de Saúde com medicamentos atingiu um máximo histórico de 4.417 milhões de euros em 2025. Os hospitais ultrapassaram pela primeira vez os 2.500 milhões em gastos, impulsionados pelo acesso a terapêuticas inovadoras e medicamentos oncológicos.

A despesa do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com medicamentos atingiu em 2025 o valor mais elevado de sempre, totalizando 4.417 milhões de euros, segundo os relatórios do Infarmed a que a Lusa teve acesso.
Do total, os hospitais representaram 2.523,2 milhões de euros, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos 2.500 milhões. O valor corresponde a um aumento de 11,2% face a 2024, mais 254 milhões de euros.
Já no primeiro trimestre deste ano, a despesa hospitalar com medicamentos atingiu 693,4 milhões de euros, mais 7,6% do que no mesmo período do ano anterior, uma evolução que o Infarmed associa ao acesso a terapêuticas inovadoras.
No ambulatório, o SNS gastou 1.893,8 milhões de euros na comparticipação de medicamentos, um crescimento de 12,4%, correspondente a mais 208,4 milhões de euros. Durante o ano passado foram dispensadas 203,9 milhões de embalagens.
Os medicamentos antidiabéticos lideraram os encargos da comparticipação pública, com uma despesa de 478,9 milhões de euros, mais 14,7% do que em 2024.
Entre as substâncias ativas, o Apixabano — utilizado na prevenção da formação de coágulos sanguíneos — registou o maior aumento de despesa, com uma subida de 70,9%, para 66,6 milhões de euros.
Nos hospitais, os medicamentos imunomoduladores foram os que mais contribuíram para o aumento da despesa, seguidos dos citotóxicos e dos fármacos com ação no sistema nervoso central.
Por áreas terapêuticas, a oncologia continuou a representar o maior peso da despesa hospitalar, totalizando 864,5 milhões de euros, mais 16% do que no ano anterior. Seguiram-se os medicamentos para o VIH, com 238,2 milhões, e os usados no tratamento da artrite reumatoide e psoríase, com 186,5 milhões.
As vacinas registaram a maior variação percentual da despesa, com um crescimento de 69,8%, atingindo 85,5 milhões de euros.
A despesa hospitalar com medicamentos órfãos destinados a doenças raras aumentou 34,1%, chegando aos 465 milhões de euros.
Entre as Unidades Locais de Saúde, a ULS Santa Maria, em Lisboa, apresentou a maior despesa com medicamentos, com 304,9 milhões de euros, seguida da ULS de Coimbra e da ULS São João, no Porto.
O relatório destaca ainda o aumento expressivo da despesa nos cuidados de saúde primários, que cresceu 66,5%, para 97,8 milhões de euros.
Na área dos dispositivos médicos, o Infarmed salientou a comparticipação a 100% das bombas de insulina destinadas a utentes do SNS e dispensadas em farmácias, medida que entrou em vigor em 2025.
LUSA/SO
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