16 Mar, 2022

CPNPC com skipping no METex14. Inibidor do MET vem colmatar a necessidade terapêutica neste grupo de doentes

Doentes com Cancro do Pulmão de Não Pequenas Células avançado previamente tratado e com skipping do exão 14 do MET, que antes não tinham um tratamento dirigido, contam agora com uma opção terapêutica dirigida ao MET: o tepotinib. O oncologista e diretor do Serviço de Oncologia do Centro Hospitalar Universitário do Porto, António Araújo, sublinha o “contributo” que este fármaco traz no que diz respeito à sobrevivência - mas também à taxa e duração da resposta – “num grupo de doentes com um mau prognóstico”.

Quais são as atuais opções terapêuticas para os doentes com Cancro do Pulmão de Não Pequenas Células (CPNPC) com skipping do exão 14 do MET?

As actuais opções são a quimioterapia clássica e a quimioterapia associada a imunoterapia, porque não tínhamos um tratamento dirigido a este alvo. São doentes que têm um tempo de sobrevivência global relativamente baixo. Por outro lado, sabemos que quando temos um alvo e que, se o conseguirmos bloquear, podemos proporcionar mais tempo de vida aos nossos doentes e, eventualmente, melhor qualidade de vida.

A necessidade terapêutica é a de um medicamento que atue nesse alvo.

Sim, precisamos de um medicamento que bloqueie o alvo. O tepotinib [TEPMETKO] é um dos fármacos que tem vindo a ser desenvolvido para bloquear este alvo e que, neste momento, está praticamente em condições de ser utilizado na prática clínica diária, porque nos ensaios clínicos efectuados mostrou melhores resultados que os tratamentos-padrão.

Qual é o prognóstico deste grupo de doentes (em termos de sobrevivência a cinco anos, por exemplo), grupo que representa cerca de 3% de todos os casos de CPNPC?

Estamos a falar do cancro do pulmão de não pequenas células metastizado, pelo que só começámos a falar em sobrevivência prolongada quando compreendemos a importância dos alvos terapêuticos. Antes disso, com a quimioterapia, a sobrevivência destes doentes era de cerca de 10 a 12 meses. Com a introdução das terapias dirigidas a alvos, conseguimos duplicar ou triplicar a sobrevivência média global destes doentes.

E este medicamento, o tepotinib, vem também dar um contributo nesse sentido, a um grupo de doentes específico com um prognóstico relativamente mau. Estamos a falar, com este fármaco, de uma taxa de resposta a rondar os 46 a 47% e uma duração de resposta de quase um ano. Isto é muito superior ao histórico destes doentes.

Como tem evoluído o conhecimento da comunidade médica relativamente às mutações genéticas associadas ao cancro do pulmão?

No início do século XXI, começamos por ter um medicamento dirigido a um alvo específico, o EGFR, mas sem conhecermos o seu mecanismo de actuação. A partir de 2004/2005, percebemos que havia mutações ou alterações em alguns genes do tumor, que eram responsáveis pela carcinogénese – se bloqueássemos a proteína codificada por esse gene, bloqueávamos a cascata de acontecimentos intracelulares que levam à proliferação do tumor. O MET é um destes alvos, porque também ele é responsável pela carcinogénese de alguns tumores.

No futuro, é expectável que o tratamento do CPNPC se torne cada vez mais dirigido a estes alvos, melhorando o prognóstico dos doentes?

Sim, cada vez vamos aumentando mais o conhecimento. Neste momento, estão a ser desenvolvidos medicamentos, em certos tipos de doentes, que têm uma ação muito específica. Dentro dos genes que conhecíamos (EGFR, ALK, ROS1, BRAF, MET, PIK3CA, etc), não estamos só a desenvolver fármacos para o gene em si mas sim para mutações específicas desses genes e para as que condicionam resistência adquirida. Isto é, estamos a personalizar a terapia personalizada. O conhecimento tem vindo a aumentar e, por isso, conseguimos, cada vez mais, desenvolver medicamentos específicos para determinado tipo de mutações e a entender de que forma é que os tumores conseguem desenvolver mecanismos de resistência aos fármacos para ultrapassar a inibição que condicionam. À medida que vamos percebendo isso, conseguimos ter outras estratégias de tratamento, por exemplo, estratégias sequenciais de medicamentos ou desenvolvimento de medicamentos específicos para um determinado mecanismo de resistência.

Assim, aumentamos a probabilidade de sobrevivência dos nossos doentes. Por outro lado, muitos destes medicamentos têm perfis de segurança muito “amigos” dos doentes, que acabam por beneficiar a qualidade de vida durante um tempo muito prolongado.

Atualmente, também com a introdução da imunoterapia no armamentário terapêutico destes doentes, podemos começar a falar de sobrevivências de cinco a sete anos, começando a tornar o CPNPC numa doença crónica num número apreciável de doentes. Isto era impensável há uns anos atrás.

SO

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