20 Out, 2021

Bypass gástrico permite a remissão da diabetes tipo 2, sustenta estudo

Além de permitir a remissão da diabetes tipo 2, o bypass gástrico também promove alterações benéficas na microbiota intestinal dos doentes obesos.

De acordo com um novo estudo, as alterações promovidas pela cirurgia metabólica conhecida como bypass gástrico em doentes com obesidade moderada permitem a remissão da diabetes tipo 2 e ainda melhoram a microbiota intestinal, avança o Público. A investigação foi publicada na revista Diabetology & Metabolic Syndrome.

Segundo confirmam os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e autores do estudo, não é novidade que grande parte das pessoas que são diagnosticadas com diabetes tipo 2 submetidas a esta cirurgia recuperam da doença e apresentam melhorias em vários parâmetros, sobretudo nos metabólicos e inflamatórios.

No entanto, tendo em consideração que os benefícios do bypass gástrico têm sido comprovados sobretudo em doentes com obesidade de grau 1 com comorbilidades ou de grau 3, a presente investigação procurou explorar e confirmar esta remissão em diabéticos com o primeiro grau de obesidade e analisar de que modo esta cirurgia também permite alterações benéficas para a microbiota intestinal.

Segundo explicou, ao Público, a primeira autora do artigo, Eva Lau, todos os doentes incluídos neste ensaio tinham obesidade moderada (índice de massa corporal de 30 a 35 quilos por metro quadrado) e diagnóstico prévio de diabetes tipo 2. Estes foram acompanhados ao longo de um ano e foram avaliados por especialistas em Endocrinologia e Nutrição.

“Além de medições antropométricas (como peso, massa gorda e circunferência da cintura), foram realizadas análises ao sangue para medir a glicose e o perfil lipídico (que inclui o colesterol e os triglicerídeos) e análises à microbiota intestinal a partir de amostra das fezes”, detalha o comunicado enviado à imprensa.

De acordo com a sua análise, o bypass gástrico permite a remissão da diabetes tipo 2 e é eficaz em melhorar a microbiota intestinal. “Em apenas três meses, observamos diferenças significativas no índice de massa corporal e na circunferência da cintura. Após seis meses, essas diferenças eram ainda maiores, juntando-se uma melhoria na resistência à insulina e no perfil lipídico. Ao fim de 12 meses, os doentes do braço cirúrgico tiveram uma melhoria ou mesmo uma remissão da sua diabetes”, confirma Eva Lau.

“Este foi o primeiro ensaio clínico controlado a estudar as alterações clínicas e na microbiota em doentes com obesidade moderada e com diabetes após cirurgia de bypass, em comparação com o tratamento médico standard”, conclui a investigadora da FMUP.

Consulte o estudo na íntegra aqui.

SO

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