Brasil anuncia criação de banco de dados genéticos de 100 mil brasileiros

15 Out, 2020

Genomas Brasil tem investimento de mais de 91 milhões de euros para os próximos quatro anos, em que irá compilar 100 mil genomas completos da população

O Ministério da Saúde do Brasil lançou na quarta-feira um programa de medicina de precisão, através da criação de um banco de dados com 100 mil genomas de brasileiros para tentar antecipar o diagnóstico de doenças.

Denominado “Genomas Brasil”, o programa visa aperfeiçoar o entendimento das variações genéticas típicas da população brasileira, possibilitando, futuramente, o acesso a tratamentos personalizados no Sistema Único de Saúde (SUS).

Um projeto inspirado no 100.000 Genomas do Reino Unido, iniciado em 2012, o “Genomas Brasil” tem como meta principal nos próximos quatro anos criar um banco de dados com 100 mil genomas completos de brasileiros para identificar suscetibilidades de indivíduos desenvolverem determinadas doenças, antes mesmo dos primeiros sintomas aparecerem.

O projeto tem em vista não só a melhoria da prevenção e do diagnóstico precoce, como também observar e compreender comportamento das doenças, para tornar possível, a longo prazo, o melhor tratamento personalizado ou até mesmo a cura de algumas dessas enfermidades.

O banco de dados sequenciará genes de portadores de doenças raras, cardíacas, cancro e doenças infetocontagiosas, como a Covid-19. Essas enfermidades foram escolhidas devido ao elevado número de casos no país e pelos altos custos que geram ao SUS.

Recorde-se que, no Brasil, a população possui uma das maiores miscigenações no mundo, já que é caracterizada por uma grande diversidade étnica. “Nesse contexto, o Programa Genomas Brasil propõe-se explorar as especificidades genéticas da população brasileira, composta por fragmentos de diferentes genomas subcontinentais (europeu, ameríndio, africano e asiático), para garantir o acesso à saúde de precisão”, concluiu o Ministério da Saúde.

O investimento previsto para os primeiros quatro anos é de 600 milhões de reais (91,4 milhões de euros, no câmbio atual).

“É o primeiro grande passo para o Brasil entrar na elite da área de terapia avançada da genómica no mundo”, destacou o Presidente, Jair Bolsonaro, na cerimónia de lançamento, em Brasília.

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que está em estudo uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de outras instituições de ensino e empresas privadas.

A iniciativa contará com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), que apoiará o projeto na atração e regulação de recursos privados para o programa.

Lusa/SO

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