Bastonário dos Médicos Dentistas pede reforço da saúde oral no Orçamento do Estado para 2026
A Ordem dos Médicos Dentistas manifestou ainda disponibilidade para colaborar na implementação do Boletim Individual de Saúde Oral Eletrónico.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Miguel Pavão, apelou à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para que o Orçamento do Estado para 2026 contemple um reforço significativo na área da saúde oral. Em declarações à agência Lusa, após um encontro com a ministra, em Lisboa, Miguel Pavão defendeu a necessidade de assegurar verbas específicas e robustas para o setor, abrangendo os setores público, social e privado.
O bastonário sublinhou a importância de reforçar os gabinetes de Medicina Dentária nos cuidados de saúde primários e de garantir a plena integração dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “A realidade atual é dura: temos gabinetes de medicina dentária recém-equipados, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que não estão a funcionar porque não há forma de integrar os médicos dentistas devidamente”, alertou Miguel Pavão.
O responsável apontou a valorização da carreira como elemento-chave para resolver o problema, destacando o exemplo da Madeira, onde os médicos dentistas dispõem de carreira própria e estão integrados no sistema regional de saúde.
A OMD manifestou ainda disponibilidade para colaborar na implementação do Boletim Individual de Saúde Oral Eletrónico, medida já aprovada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), e propôs uma reformulação do programa Cheque-Dentista, incluindo novos cheques destinados à reabilitação, próteses e tratamento de traumatismos. Segundo Miguel Pavão, a ministra da Saúde manifestou a intenção do Governo de criar uma rede de clínicas públicas de cuidados de saúde oral, embora sem adiantar detalhes sobre o modelo de funcionamento.
O bastonário advertiu, no entanto, que sem um reforço orçamental claro estas medidas não poderão ser concretizadas. “Investir na saúde oral não é um custo, é uma escolha política inteligente que traz retorno — pela prevenção, pela redução de urgências e hospitalizações e pela diminuição da carga de doenças como a diabetes e as cardiovasculares”, afirmou, acrescentando que o objetivo é “melhorar a qualidade de vida dos portugueses e garantir que a saúde oral seja um direito efetivo”.
A OMD reiterou a sua disponibilidade para colaborar com o Governo na construção de uma estratégia nacional de saúde oral inclusiva e sustentável, lembrando que mais de seis milhões de portugueses enfrentam atualmente problemas dentários.
SO/LUSA
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