16 Out, 2025

Bastonário dos Médicos Dentistas pede reforço da saúde oral no Orçamento do Estado para 2026

A Ordem dos Médicos Dentistas manifestou ainda disponibilidade para colaborar na implementação do Boletim Individual de Saúde Oral Eletrónico.

Bastonário dos Médicos Dentistas pede reforço da saúde oral no Orçamento do Estado para 2026

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Miguel Pavão, apelou à ministra da Saúde, Ana Paula Martins, para que o Orçamento do Estado para 2026 contemple um reforço significativo na área da saúde oral. Em declarações à agência Lusa, após um encontro com a ministra, em Lisboa, Miguel Pavão defendeu a necessidade de assegurar verbas específicas e robustas para o setor, abrangendo os setores público, social e privado.

O bastonário sublinhou a importância de reforçar os gabinetes de Medicina Dentária nos cuidados de saúde primários e de garantir a plena integração dos médicos dentistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). “A realidade atual é dura: temos gabinetes de medicina dentária recém-equipados, ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que não estão a funcionar porque não há forma de integrar os médicos dentistas devidamente”, alertou Miguel Pavão.

O responsável apontou a valorização da carreira como elemento-chave para resolver o problema, destacando o exemplo da Madeira, onde os médicos dentistas dispõem de carreira própria e estão integrados no sistema regional de saúde.

A OMD manifestou ainda disponibilidade para colaborar na implementação do Boletim Individual de Saúde Oral Eletrónico, medida já aprovada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS), e propôs uma reformulação do programa Cheque-Dentista, incluindo novos cheques destinados à reabilitação, próteses e tratamento de traumatismos. Segundo Miguel Pavão, a ministra da Saúde manifestou a intenção do Governo de criar uma rede de clínicas públicas de cuidados de saúde oral, embora sem adiantar detalhes sobre o modelo de funcionamento.

O bastonário advertiu, no entanto, que sem um reforço orçamental claro estas medidas não poderão ser concretizadas. “Investir na saúde oral não é um custo, é uma escolha política inteligente que traz retorno — pela prevenção, pela redução de urgências e hospitalizações e pela diminuição da carga de doenças como a diabetes e as cardiovasculares”, afirmou, acrescentando que o objetivo é “melhorar a qualidade de vida dos portugueses e garantir que a saúde oral seja um direito efetivo”.

A OMD reiterou a sua disponibilidade para colaborar com o Governo na construção de uma estratégia nacional de saúde oral inclusiva e sustentável, lembrando que mais de seis milhões de portugueses enfrentam atualmente problemas dentários.

SO/LUSA

Notícia relacionada

Ministério da Saúde vai criar rede nacional de Saúde Oral com apoio dos setores social e privado

ler mais

Partilhe nas redes sociais:

ler mais