2 Out, 2025

Bastonário dos Enfermeiros pede regulamentação “urgente” para acompanhamento de gravidezes de baixo risco por especialistas

Luís Filipe Barreira pede regulamentação "urgente" para acompanhamento de gravidezes de baixo risco por enfermeiros especialistas, já que falta uniformização.

Bastonário dos Enfermeiros pede regulamentação “urgente” para acompanhamento de gravidezes de baixo risco por especialistas

O bastonário da Ordem dos Enfermeiros (OE), Luís Filipe Barreira, defendeu hoje que o Ministério da Saúde deve avançar rapidamente com a regulamentação do acompanhamento de gravidezes e partos de baixo risco por enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstétrica (EESMO), alegando a necessidade de uniformizar a prática no país. “Não há uma uniformização no país, nem há regulamentação, que é fundamental para robustecer e credibilizar o trabalho dos enfermeiros especialistas em Portugal”, afirmou o bastonário à agência Lusa, no dia em que o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, inaugurou consultas de acompanhamento de grávidas de baixo risco, realizadas integralmente por estes profissionais.

Considerando a medida “ótima”, por permitir libertar os médicos obstetras para casos de maior complexidade, Luís Filipe Barreira insistiu que é preciso “um enquadramento nacional”. “Não faz sentido que os obstetras acompanhem gravidezes de baixo risco quando há outros profissionais preparados para isso”, sublinhou.

A OE já apresentou ao Governo uma proposta para que os EESMO possam assegurar, de forma autónoma, o acompanhamento da gravidez de baixo risco nos hospitais — onde cerca de 70% dos partos se enquadram nesta categoria — e nos cuidados de saúde primários, especialmente em situações de grávidas sem médico de família.

Segundo o bastonário, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, “vê com bons olhos” a proposta, mas a Ordem aguarda “ações concretas”, nomeadamente a regulamentação. A ministra afirmou em setembro, no parlamento, que as grávidas “não podem ficar sem vigilância” e reconheceu a importância dos enfermeiros especialistas, salientando que esta prática já existe em vários países europeus.

Atualmente, a Direção-Geral da Saúde (DGS) tem publicada uma norma, atualizada em 2024, que define funções dos EESMO nos hospitais, incluindo a possibilidade de internamento e realização do parto de baixo risco por enfermeiros, sob conhecimento de um médico obstetra. No entanto, faltam protocolos claros para os cuidados primários.

A OE recorda ainda que existe desde 2005 uma diretiva comunitária que permite aos enfermeiros especialistas prescrever análises e ecografias, mas que nunca foi transposta para Portugal. Exemplos já em curso incluem a ULS de São José/Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, onde desde novembro de 2024 os enfermeiros internam grávidas de baixo risco, e a ULS de Portalegre, onde fazem todo o acompanhamento, incluindo prescrição de meios de diagnóstico.

Apesar do avanço destas práticas, a proposta continua a gerar debate. A Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) reiterou que médicos e enfermeiros têm perfis distintos e que a excelência dos cuidados deve resultar de uma abordagem multidisciplinar e articulada.

SO/LUSA

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