18 Jun, 2024

Assembleia Municipal de Viseu exige reabertura total da Urgência Pediátrica

A Assembleia Municipal de Viseu aprovou duas moções que exigem a reabertura total da Urgência Pediátrica da Unidade Local de Saúde (ULS) Viseu Dão Lafões, que se encontra encerrada durante a noite desde o início do mês.

A primeira moção, apresentada pelo grupo municipal do PSD, exige ao Governo “a reabertura plena” da Urgência Pediátrica e pede à ministra da Saúde “a substituição do conselho de administração demissionário, no mais curto espaço de tempo”.

Os deputados municipais do Bloco de Esquerda (BE) apresentaram uma segunda moção, que exige não só a reabertura da Urgência Pediátrica durante a noite, como também “um Serviço Nacional de Saúde presente em todo o território, sem descurar o interior do país”.

As duas moções divergem sobretudo nos considerandos, com a do PSD a criticar o Centro Hospitalar Tondela Viseu, agora integrado na ULS Viseu Dão Lafões, por ter “vindo a perder prestígio e credibilidade junto da comunidade por más opções de gestão e por ausência de políticas públicas capazes de corresponder aos desafios e aspirações da instituição e da comunidade”.

O deputado social-democrata Pedro Alves apontou exemplos, como o atraso na ampliação do serviço de urgência e a não concretização do Centro de Ambulatório e Unidade de Radioterapia, mas considerou que, “ainda mais preocupante, é assistir a uma debandada de profissionais de saúde para outras unidades públicas, sem que o conselho de administração encontre estratégias para os fixar em Viseu”.

No entender do PSD, o conselho de administração, “incapaz de encontrar soluções para reverter a sua decisão, agravou o acesso aos cuidados de saúde para as crianças, encerrando o atendimento durante todas as noites do mês de junho”. “Esta incapacidade levou à intervenção direta da ministra da Saúde, que impôs a apresentação de um plano para mitigar este problema, no imediato, que, embora tenha sido apresentado e aprovado, o conselho de administração não foi capaz de concretizar”, disse Pedro Alves, frisando que “a demissão foi a saída possível”.

O social-democrata lembrou que esse plano devia estar a ser implementado e que o pedido de demissão do conselho de administração, na passada quinta-feira, não foi um acaso, mas sim “uma revelação clara da incompetência e da incapacidade de colocar em curso o plano, porque, se não o fizessem de acordo com o que tinha sido acordado, o desfecho seria uma demissão de exoneração”.

“O que assistimos na reunião (entre o conselho de administração e membros da Assembleia Municipal) foi sempre uma procura de encontrar dificuldades para a execução do que quer que seja”, afirmou, considerando que “cabe a quem gere encontrar soluções, não apenas fazer diagnósticos”.

A deputada socialista Lúcia Araújo Silva contou que, nessa reunião, em que também participou, foram referidos dados relacionados com a especialidade de Pediatria, o número de vagas e o facto de muitos médicos serem atraídos pelas condições dadas nos hospitais privados.

“O hospital dá resposta aos casos urgentes e emergentes. Também informaram [na reunião] que 75% dos casos que vão à urgência não são referenciados”, afirmou a deputada, pedindo que se passe uma mensagem de confiança e os pais sejam esclarecidos que, antes de levarem os filhos à urgência, “existem outros mecanismos a que podem recorrer”.

Durante a manhã da última segunda-feira, o conselho de administração anunciou o lançamento de “um modelo de atendimento para garantir melhor resposta às crianças com doença aguda, ou seja, situações urgentes/emergentes”.

“O objetivo é reforçar a capacidade de resposta em rede ‘lado a lado’, envolvendo os Cuidados de Saúde Primários (entre as 8h e as 23h) e os serviços de Urgência Básica (entre as 23h e as 8h), garantindo que, no período noturno, a Urgência Pediátrica de Viseu possa dar resposta aos casos emergentes (INEM), mantendo o apoio fundamental às crianças internadas e ao Bloco de Partos”, explicou.

 

LUSA

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