Apneia obstrutiva do sono. Cuidados Respiratórios Domiciliários dão apoio a doentes

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) tem forte impacto na qualidade de vida, podendo ser causa de acidentes de viação ou de problemas cardiovasculares e mentais. Os cuidados respiratórios domiciliários são um apoio importante e desmistificam a ideia de que os equipamentos para dormir são ruidosos e desconfortáveis.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é um problema de saúde grave, mas os doentes tendem a procurar ajuda demasiado tarde. Ressonar é um dos sintomas mais comuns, mas há outros mais graves, como sonolência excessiva durante o dia, que aumenta o risco de acidentes, ou paragens respiratórias noturnas.

De acordo com a pneumologista Vânia Caldeira, existem outros menos conhecidos e que tendem a ser desvalorizados. “É o caso da irritabilidade, cefaleias, fadiga intensa e disfunção cognitiva.” Acresce ainda o surgimento ou agravamento de patologias como hipertensão, arritmias, enfarte agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). “Igualmente relevante é o impacto na saúde mental, aumentando o risco de depressão, de perturbações da ansiedade e de demências. Um outro é a maior probabilidade de sofrer de doenças neurodegenerativas”, acrescenta.

Nos casos mais graves de SAOS ou quando coexistem comorbilidades ou sonolência diurna excessiva, é necessário pedir o apoio de cuidados respiratórios domiciliários (CRD). Entre os diferentes CRD, na SAOS está indicado o CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas), que consiste num equipamento de pequena dimensão, com uma turbina silenciosa, que envia ar de forma suave através de uma máscara colocada sobre o nariz e, possivelmente, sobre a boca. Desta forma, cria uma pressão positiva nas vias aéreas (garganta e faringe), enquanto se dorme.

Apesar das mais-valias deste tratamento, a médica defende que se deve apostar mais na desmistificação de algumas ideias pré-concebidas, como por exemplo ser um equipamento muito ruidoso e desconfortável. Tudo isto contribui para que muitos doentes tenham receio do CPAP e adiem, assim, o tratamento.

“Os algoritmos dos equipamentos são cada vez melhores, são muito silenciosos, temos centenas de máscaras disponíveis, que são ajustáveis e muito confortáveis, que vão prevenir as paragens respiratórias que ocorrem durante o sono e que impedem que o oxigénio chegue a órgãos importantes do corpo humano”, explica a pneumologista.

“Acordava e sentia-me completamente obstruído”

A evolução dos últimos tempos nos equipamentos surpreendeu Luís Galvão, diagnosticado com SAOS. Após vários anos a ressonar, começou a ter paragens respiratórias noturnas, mas levou tempo a pedir ajuda. “Era aflitivo. Acordava e sentia-me completamente obstruído e com o CPAP consigo respirar normalmente. Fiquei admirado.”

Tal como outros doentes, teve receio da adaptação ao dispositivo, mas, como refere, “foi um processo muito rápido”. “Este equipamento mudou a minha vida para melhor. Deixei de ter aquela sensação de cansaço, nunca mais tive sono quando estou a conduzir, mesmo que durma menos horas.”

E, o mais importante, não voltou a adormecer ao volante. “Aconteceu mais que uma vez, a última com a minha companheira.”

Ao fim de cinco anos de uso de CPAP, garante que se sente bem e que não tem problemas com o equipamento.

Cuidados Respiratórios Domiciliários facilitam uso do CPAP

Para Luís Galvão, a adaptação fácil ao CPAP deveu-se bastante ao apoio da equipa de CRD. Ana Ornelas é técnica de Cardiopneumologia na VitalAire e sabe como os CRD fazem toda a diferença. Como explica, nos CRD, os profissionais não se limitam a fornecer o CPAP. “Focamo-nos em compreender as necessidades dos doentes, em capacitá-los para uma melhor gestão da sua patologia, para que possam melhorar os seus resultados, assim como a sua autonomia e qualidade de vida.”

No domicílio, todos os doentes são acompanhados por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde, como técnicos de Cardiopneumologia, fisioterapeutas, enfermeiros, entre outros. “Oferecemos cuidados personalizados através de uma combinação de apoio das nossas equipas e na VitalAire também dispomos de ferramentas digitais, que vão facilitar a adesão ao tratamento”, especifica.

O apoio dos CRD não se cinge ao utente, como afirma Ana Ornelas, porque a família/cuidadores também são importantes. “A SAOS afeta não só o paciente, mas todos os que o rodeiam, em especial o seu companheiro(a), que acaba por ter um papel fundamental no apoio e motivação à adesão ao tratamento.”

Continuando: “Ganham todos qualidade de vida, porque o CPAP vai evitar a roncopatia e uma boa noite de sono contribui para um acordar com mais energia e bom-humor, não ficando, assim, afetada a vida familiar e social.”

A Cardiopneumologista menciona outros benefícios: menos problemas de memória e de concentração e um risco menor de acidentes de viação, causados por sonolência excessiva durante o dia, e prevenção ou melhor controlo de patologias já existentes, como hipertensão, diabetes ou obesidade. “Diminui bastante o risco cardiovascular.”

Face a estas vantagens, Ana Ornelas considera que é essencial sensibilizar o doente para as mais-valias do tratamento com CPAP. “A adaptação nem sempre é fácil, porque poderá sentir-se algum desconforto ao dormir com um equipamento que não é familiar, mas com o apoio dos CRD, tudo isso é ultrapassável”, garante.

Em suma, os sintomas da SAOS, como roncopatia e paragens respiratórias noturnas, não devem ser desvalorizados e, caso necessite de CPAP, o doente não tem de sentir receio. “Os CRD permitem um acompanhamento personalizado e de proximidade, para que a pessoa com SAOS possa viver com qualidade de vida otimizada”, conclui.

 

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