12 Set, 2024

Apenas 13% dos doentes com enxaqueca têm acesso a tratamentos inovadores

Assinala-se hoje, 12 de setembro, o Dia Europeu de Ação na Enxaqueca, para se alertar para uma patologia que afeta cerca de 2 milhões de portugueses e que é a segunda causa mundial de incapacidade.

Apenas 13% dos doentes com enxaqueca têm acesso a tratamentos inovadores

Apenas 13% dos doentes com enxaqueca têm acesso a tratamentos inovadores e há quem espere anos por uma consulta de especialidade, alertam a Associação MiGRA Portugal e a Sociedade Portuguesa de Cefaleias (SPC). No Dia Europeu de Ação na Enxaqueca, que se assinala hoje, as associações lembram que esta patologia, “ainda incompreendida”, afeta cerca de 2 milhões de portugueses.

“Esta doença neurológica incapacitante e imprevisível continua a ser incompreendida, quer no seio familiar quer no ambiente laboral. Apesar de em Portugal, quer no Serviço Nacional de Saúde (SNS) quer no sistema privado, existirem centros especializados no tratamento das cefaleias e enxaqueca, estes estão apenas destinados aos 1 a 2% de casos mais complexos”, lê-se em comunicado.

A MiGRA Portugal e a Sociedade Portuguesa de Cefaleias alertam, assim, para “a elevada escassez de especialistas”, o que limita a oferta de serviços no SNS. “Grande parte dos doentes vê-se obrigada a recorrer a consultas privadas, com elevado esforço financeiro, além do custo das terapêuticas específicas, que chegam a representar mais de metade do salário mínimo em Portugal”,  sublinha Raquel Gil-Gouveia, neurologista especialista em cefaleias e membro da SPC.

Uma situação que não faz sentido, na sua opinião, tendo em conta que as terapêuticas, disponibilizadas nos hospitais públicos, são comparticipadas a 100%. “Existe, assim, uma discriminação no acesso ao tratamento, dado que as terapêuticas mais eficazes e com menos efeitos secundários não estão a chegar aos doentes, além de ser manifesta a incapacidade do SNS em disponibilizar consultas em número suficiente, com tempos de espera que chegam a ser superiores a um ano”, acrescenta a neurologista.

Já de acordo com a MiGRA Portugal, há em Portugal mais casos de enxaqueca do que aqueles que estão identificados e diagnosticados. “Muitas pessoas sofrem em silêncio pelo desconhecimento e desvalorização desta patologia, responsável pela maior perda de anos de vida por incapacidade nas mulheres com menos de 50 anos.”

Como acrescenta: “Existe uma dificuldade dos próprios doentes, dos profissionais de saúde e da sociedade no geral em aceitar a enxaqueca como uma doença neurológica. O estigma de que é apenas uma dor de cabeça, de que é uma desculpa, ou mesmo a culpabilização do próprio doente, levam a que não seja adequadamente diagnosticada, acompanhada e tratada, impactando a esfera pessoal e laboral e até mesmo a produtividade e economia do País”.

Um inquérito realizado pela MiGRA Portugal revelou que 60% dos doentes em tratamento para a enxaqueca expressam insatisfação com o seu tratamento e entre 55 e 70% permanecem alheios às opções de tratamento inovadoras. Adicionalmente, cerca de 40% não têm seguimento médico e 70% dos que são acompanhados por um neurologista tiveram de recorrer ao privado. “Perante estes números, é urgente melhorar os cuidados prestados nas cefaleias, nomeadamente na enxaqueca”, sublinha Madalena Plácido, presidente da Direção da MiGRA Portugal.

Face a esta realidade que ambas as sociedades consideram “alarmante”, elaboraram um documento com um conjunto de recomendações, que deverá ser entregue ainda este mês. O objetivo é que seja criada uma estratégia nacional.

MJG

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