2 Jul, 2026

Estudo do i3S abre caminho ao desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o cancro colorretal

Investigadores do i3S, da Universidade do Porto, identificaram vulnerabilidades imunológicas em tumores colorretais que poderão ser utilizadas no desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas. O estudo foi publicado na revista científica Gut.

Estudo do i3S abre caminho ao desenvolvimento de vacinas personalizadas contra o cancro colorretal

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto validaram uma estratégia que poderá contribuir para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas personalizadas contra o cancro colorretal.

Em comunicado, a instituição explica que a equipa identificou vulnerabilidades imunológicas persistentes em tumores colorretais, que poderão ser exploradas para criar vacinas adaptadas às características de cada doente.

Segundo José Carlos Machado, coordenador do grupo de investigação, esta abordagem representa uma das formas mais avançadas de medicina personalizada, uma vez que cada vacina terá de ser desenvolvida especificamente para um doente, de acordo com as mutações e os neoantigénios presentes no respetivo tumor.

O estudo, publicado a 11 de junho na revista científica Gut, centrou-se em tumores colorretais com elevada produção de neoantigénios, moléculas alteradas que podem ser reconhecidas pelo sistema imunitário como sinais de perigo.

De acordo com o i3S, na maioria dos casos o sistema imunitário consegue identificar estes sinais e eliminar as células tumorais. No entanto, quando esse mecanismo falha, o tumor cria um ambiente imunossupressor que impede o sistema imunitário de concluir esse processo, permitindo a progressão da doença.

Helena Xavier Ferreira, primeira autora do estudo, explica que, apesar desse bloqueio, o tumor continua a ser reconhecido pelo sistema imunitário e, à medida que evolui, acumula novas mutações que originam mais neoantigénios.

Segundo Carlos Resende, um dos autores seniores do trabalho, o desafio passa por reativar o sistema imunitário, contrariando o ambiente imunossupressor criado pelo tumor e permitindo que este volte a atacar as células tumorais que apresentam neoantigénios.

O i3S considera que a descoberta poderá ter implicações clínicas relevantes.

Ao identificar os neoantigénios capazes de desencadear uma resposta imunitária eficaz, o estudo fornece informação essencial para o desenvolvimento de vacinas terapêuticas concebidas a partir das características genéticas específicas de cada tumor.

Além disso, os investigadores referem que o trabalho contribui para compreender melhor a forma como os tumores evoluem sob a pressão exercida pelo sistema imunitário.

Segundo o instituto, os resultados reforçam a perspetiva de uma nova geração de imunoterapias personalizadas, capazes de explorar as vulnerabilidades próprias de cada tumor e potenciar a capacidade natural do organismo para combater o cancro.

 

LUSA/SO

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