Consumo de drogas está a aumentar e atinge 330 milhões de pessoas, indica ONU
A cannabis continua a ser a droga mais utilizada no mundo, refere o relatório da ONU, alertando para o facto de o seu consumo estar sempre a aumentar. Os opiáceos são outras das drogas mais consumidas, apesar de mudanças no mercado.

O consumo de drogas está a aumentar em todo o mundo, com mais de 330 milhões de pessoas que em 2024 usavam alguma substância estupefaciente, avança hoje a ONU no Relatório Mundial sobre Drogas. O total das pessoas que tinham consumido drogas – excluindo álcool e tabaco – durante o ano de 2024 (últimos dados contabilizados) representa 6,2% da população mundial com idades entre os 15 e os 64 anos.
De acordo com a análise realizada pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), o valor mostra que há mais 34% de pessoas a consumir estupefacientes do que na década passada. Embora este aumento seja, em parte, resultado de um crescimento populacional e da disponibilidade de dados novos, reflete uma subida da prevalência do consumo de drogas, avisa a organização.
Segundo os dados, as Américas e a Ásia albergam o maior número de pessoas que consomem drogas (105 milhões em cada região), seguidas de África (74 milhões), mas a maior prevalência de consumo de drogas encontra-se na Oceânia (15,5% da população) e nas Américas (15%), seguidas de África (8,6%). Em todas as regiões, existe uma grande variação nos padrões de consumo, mas a maior parte é ocasional ou de duração limitada, com apenas uma minoria de pessoas que usam drogas a progredir para a dependência.
A cannabis continua a ser a droga mais utilizada no mundo, refere o relatório, alertando para o facto de o seu consumo estar sempre a aumentar. “Atualmente, é utilizada por cerca de 256 milhões de pessoas em todo o mundo”, o que representa um crescimento de 40% na última década, avança o UNODC, acrescentando que quase cinco em cada 100 pessoas consome esta substância.
O maior número de pessoas que usam cannabis encontra-se na América do Norte, onde a prevalência do consumo da droga atinge 20,5% da população entre os 15 e os 64 anos. O segundo tipo de droga mais consumido são os opiáceos, embora o mercado tenha sofrido fortes alterações.
O Afeganistão foi, durante décadas, o maior produtor mundial de ópio, mas, em 2022, o regime talibã proibiu o cultivo de papoilas, o que resultou numa quase imediata escassez de ópio e heroína em todo o mundo. Ainda assim, o mercado de consumidores deste tipo de estupefaciente manteve-se estável nos 63 milhões de pessoas, já que o número de consumidores de opiáceos (compostos naturais extraídos diretamente da planta da papoila) diminuiu, mas cresceu o recurso a opioides (que misturam as substâncias naturais com sintéticas), referem os analistas da ONU.
O Médio Oriente e Sudoeste Asiático são as regiões com maior prevalência de opioides, mas novos tipos de substâncias sintéticas, como nitazenos ou órfinas – centenas de vezes mais potentes que a morfina e significativamente mais fortes do que o fentanil – têm-se disseminado sobretudo na Europa Ocidental e Central e em África. Com 32 milhões de utilizadores, as anfetaminas são o terceiro tipo de droga mais consumido, embora a cocaína apresente um crescimento de utilização muito maior.
Na última década, aponta o relatório, o aumento do uso de cocaína acompanhou sempre os níveis de crescimento do consumo de drogas em geral, com exceção do período da pandemia de Covid-19. De acordo com a ONU, é estimado que 25 milhões de pessoas – sobretudo da América do Norte e da Europa – tenham utilizado cocaína em 2024, o que representa um aumento de 38% em relação à década anterior.
SO/LUSA
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