Centros de saúde fizeram menos 767 mil consultas presenciais
Os centros de saúde realizaram menos 767.413 consultas médicas presenciais em 2025, segundo a ERS. O regulador aponta uma reconfiguração da atividade, com crescimento das consultas não presenciais e ao domicílio, mas alerta para quebras globais em várias ULS.

Os centros de saúde realizaram no ano passado menos 767.413 consultas médicas presenciais, segundo dados da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que aponta uma “reconfiguração da atividade” nos cuidados de saúde primários, com aumento das consultas não presenciais e ao domicílio.
De acordo com o relatório de monitorização da ERS sobre os Cuidados de Saúde Primários (CSP) em 2024 e 2025, houve uma diminuição da atividade em 35 das 39 Unidades Locais de Saúde (ULS).
Nas consultas médicas presenciais, apenas quatro ULS registaram aumentos: Coimbra (+1%), Entre Douro e Vouga (+10,4%), Nordeste (+5,5%) e Baixo Mondego (+4,6%).
Em sentido contrário, as maiores quedas verificaram-se nas ULS da Região de Aveiro (-16,8%), Médio Ave (-9,7%) e São João (-9,6%).
A ERS sublinha que, apesar da descida das consultas presenciais, houve um crescimento das consultas não presenciais (+3,3%) e das consultas ao domicílio (+5%), indicando uma alteração do modelo de prestação de cuidados.
Ainda assim, o regulador alerta para situações em que não houve compensação entre modalidades de atendimento, nomeadamente nas ULS do Médio Tejo e do Oeste, onde se registou uma quebra simultânea nas consultas presenciais, não presenciais e domiciliárias.
No índice relativo de atividade assistencial, as ULS de Lisboa Ocidental, São José, Santa Maria e Loures-Odivelas ficaram abaixo da média nacional, enquanto Alentejo Central, Castelo Branco e Alto Alentejo apresentaram os valores mais elevados.
Nas consultas de enfermagem, registaram-se aumentos tanto presenciais (+3,3%) como não presenciais (+3,5%).
No acompanhamento de doença crónica, a percentagem de utentes com diabetes com exame dos pés realizado aumentou 6,9%, tendência verificada na maioria das ULS.
Nos cuidados materno-infantis, apesar da redução dos nascimentos, aumentou ligeiramente a proporção de recém-nascidos com consulta de vigilância nos primeiros 28 dias de vida.
Em contrapartida, registou-se uma diminuição das visitas domiciliárias de enfermagem até ao 15.º dia de vida, com valores mais baixos em várias ULS, incluindo Arco Ribeirinho, Loures-Odivelas e Amadora-Sintra.
Nos rastreios oncológicos, a ERS destaca aumentos na realização de mamografias (+20,4%) e colpocitologias (+19,3%), bem como ligeiro crescimento nos rastreios do cólon e reto (+2,6%), embora com quebras em algumas ULS.
No final de 2025, 14,6% dos utentes dos cuidados de saúde primários continuavam sem médico de família sem que tal resultasse de opção própria, valor praticamente estável face a 2024.
Segundo dados do Portal da Transparência do SNS, em março havia mais de 1,6 milhões de utentes sem médico de família, com maior concentração em Lisboa e Vale do Tejo, seguida do Algarve e Alentejo.
LUSA/SO
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