20 Mai, 2026

Doentes oncológicos portugueses estão entre os que mais esperam por medicamentos inovadores

Os doentes portugueses com cancro estão entre os que mais tempo esperam por novos medicamentos inovadores na Europa. Um estudo europeu concluiu que, em Portugal, o acesso a novos fármacos oncológicos demora em média 919 dias após autorização.

Doentes oncológicos portugueses estão entre os que mais esperam por medicamentos inovadores

Portugal é um dos países europeus onde os doentes oncológicos mais esperam pelo acesso a medicamentos inovadores para o tratamento do cancro, segundo um relatório da Federação Europeia das Indústrias e Associações Farmacêuticas (EFPIA).

O estudo analisou 56 novos medicamentos oncológicos aprovados desde 2021 e concluiu que os doentes portugueses aguardam, em média, 919 dias até os novos tratamentos chegarem ao mercado nacional.

Apenas Roménia, Lituânia e Estónia apresentam tempos de espera superiores aos registados em Portugal.

Na Estónia, os doentes esperam em média 1.227 dias, enquanto na Lituânia o tempo médio ronda os três anos. Já na Roménia, o acesso demora cerca de 925 dias.

Portugal surge assim na quarta pior posição entre os 36 países analisados, muito distante da Alemanha, que lidera o ‘ranking’ com um tempo médio de apenas 47 dias entre a autorização e a disponibilização dos medicamentos.

O relatório evidencia fortes desigualdades no acesso aos novos tratamentos oncológicos na Europa, não apenas no tempo de espera, mas também na quantidade de medicamentos efetivamente disponíveis.

A Alemanha volta a liderar nesta área, com 91% dos medicamentos aprovados desde 2021 já acessíveis aos doentes. No extremo oposto surge a Turquia, com apenas 7%.

Portugal apresenta, contudo, um desempenho mais favorável neste indicador, tendo já disponíveis 61% dos novos medicamentos oncológicos aprovados, acima da média europeia de 51%.

O país surge ao lado de Estados como Suécia, Eslovénia, Polónia e Bélgica.

O relatório destaca ainda a situação particularmente desfavorável dos doentes portugueses com doenças oncológicas raras, que são os que mais tempo esperam por novos medicamentos entre todos os países analisados.

Nestes casos, os doentes em Portugal aguardam em média 859 dias após a autorização de comercialização dos fármacos.

Mais uma vez, a Alemanha apresenta os tempos mais reduzidos, com uma média de apenas 44 dias, representando uma diferença superior a dois anos relativamente a Portugal.

A média europeia para medicamentos destinados a doenças oncológicas raras situa-se nos 614 dias.

Quanto à disponibilidade destes tratamentos, a Alemanha é também o país com maior percentagem de medicamentos acessíveis, disponibilizando 97% dos novos fármacos inovadores para doenças raras.

Portugal surge na oitava posição deste indicador, com 56% dos medicamentos disponíveis.

Já no caso dos medicamentos destinados a doenças raras não oncológicas, o cenário é ainda mais limitado, com apenas 39% dos novos fármacos disponíveis, em média, nos países analisados.

Os autores do relatório alertam para um “cenário de desigualdade crescente” no acesso a medicamentos inovadores na Europa, sublinhando que as diferenças entre países continuam a aumentar, quer no tempo de espera, quer na disponibilidade efetiva dos tratamentos.

LUSA/SO

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