Sociedade de Medicina do Viajante alerta para consulta prévia antes de viagens para zonas com hantavírus
A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante alertou para a importância de consultas prévias de aconselhamento antes de viagens para zonas endémicas de hantavírus na América do Sul. A recomendação surge após o surto associado ao navio Hondius, que já causou três mortos.

A Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) alertou este sábado para a necessidade de reforçar o aconselhamento médico antes de viagens para regiões da América do Sul onde existe transmissão endémica de hantavírus, na sequência do surto associado ao navio de cruzeiro Hondius.
Em comunicado, a sociedade científica sublinhou que os viajantes com destino a zonas rurais da Argentina, Chile e Uruguai devem receber informação específica sobre medidas de prevenção da exposição ao vírus Andes, uma variante rara do hantavírus capaz de transmissão entre pessoas.
A SPMV recomenda evitar o contacto com roedores e com os seus excrementos, assim como permanecer ou dormir em espaços mal ventilados ou com sinais de infestação. A sociedade aconselha ainda a privilegiar alojamentos com condições adequadas de higiene e ventilação.
Apesar de considerar baixo o risco para a população portuguesa e de salientar que não existe transmissão comunitária em Portugal, a sociedade médica entende que o atual surto “reforça a importância crítica da consulta do viajante” antes de deslocações para áreas endémicas.
A organização alertou igualmente os profissionais de saúde para a necessidade de reforçar a vigilância clínica em pessoas regressadas dessas regiões que apresentem sintomas como febre, dores musculares ou outros sinais compatíveis com infeção por hantavírus, sobretudo quando exista histórico de contacto próximo com casos confirmados.
Desde que o surto foi declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a 02 de maio, foram confirmados oito casos de infeção laboratorial e registadas três mortes.
Segundo a OMS, a origem do surto ainda é desconhecida, embora a primeira infeção possa ter ocorrido antes do início da expedição do navio, a 01 de abril. O primeiro passageiro que morreu começou a apresentar sintomas poucos dias depois do embarque.
O período de incubação do vírus pode variar entre uma e seis semanas e não existe atualmente vacina nem tratamento específico para a infeção, que pode provocar síndrome respiratória aguda grave.
A OMS estima, nesta fase, uma taxa de letalidade de cerca de 27% neste surto.
LUSA/SO
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