Ex-presidentes do INEM alertam para risco de fragmentação do sistema de emergência médica
Quatro antigos presidentes do INEM manifestam preocupação com as mudanças previstas na nova Lei Orgânica do instituto, alertando que podem fragilizar a coordenação do sistema de emergência médica. Em carta pública, defendem reforço de meios e criticam medidas que consideram levar à fragmentação do SIEM.

Quatro ex-presidentes do INEM alertaram para o que consideram ser riscos técnicos e operacionais nas alterações previstas à Lei Orgânica do instituto, defendendo que as mudanças podem conduzir à “fragmentação” do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) e comprometer a resposta nacional em situações críticas.
Numa carta publicada no jornal Expresso, Sérgio Janeiro, Luís Meira, Regina Pimentel e Miguel Oliveira, juntamente com o ex-presidente do Colégio da Competência de Emergência Médica, Vítor Almeida, manifestam reservas face a várias medidas aprovadas recentemente em Conselho de Ministros.
Entre os exemplos apontados estão o regresso das Viaturas Médicas de Emergência e Reanimação (VMER) aos transportes inter-hospitalares, a transferência de meios como as Ambulâncias de Emergência Médica (AEM) para as Unidades Locais de Saúde e a reconfiguração das Ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV), que passam a veículos ligeiros.
Os signatários consideram que estas alterações poderão enfraquecer a coordenação central do INEM, ao dispersar meios, competências e responsabilidades operacionais pelas ULS, o que, dizem, pode comprometer a resposta integrada em cenários de catástrofe.
Na carta, os antigos responsáveis defendem ainda que o reforço da governação clínica não será suficiente caso exista uma redução da capacidade operacional do instituto, alertando para o impacto que isso poderá ter no terreno.
Sugerem, por outro lado, a expansão das redes de AEM e SIV, a preservação das VMER e dos helicópteros de emergência médica no interior, bem como a criação de uma rede própria para transporte inter-hospitalar urgente sob coordenação médica do INEM.
Os ex-dirigentes propõem também maior autonomia e flexibilidade de gestão para o instituto, com simplificação de processos de contratação e aquisição, e defendem a manutenção da formação em emergência médica e da acreditação de entidades formadoras.
Apesar das críticas, dizem concordar com algumas alterações, como a mudança do estatuto jurídico do INEM, o aumento do orçamento e o reforço do Conselho Diretivo, sublinhando a necessidade de modernizar o sistema sem comprometer a sua estrutura central.
Recordam ainda que o SIEM português é reconhecido internacionalmente e defendem que o futuro do sistema deve assentar no seu reforço e não na sua fragmentação.
LUSA/SO
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