30 Abr, 2026

Farmácias da Grande Lisboa iniciam rastreio de VIH e hepatites com testes gratuitos

As farmácias de vários municípios da Área Metropolitana de Lisboa começaram a disponibilizar testes rápidos e gratuitos de VIH e hepatites B e C, no âmbito do Programa FOCUS. A iniciativa pretende reduzir o diagnóstico tardio e reforçar o acesso a cuidados de saúde.

Farmácias da Grande Lisboa iniciam rastreio de VIH e hepatites com testes gratuitos

As farmácias comunitárias dos municípios de Amadora, Sintra, Odivelas e Loures já estão a implementar um programa de rastreio de VIH, hepatite B (VHB) e hepatite C (VHC), dirigido a adultos com mais de 18 anos. A iniciativa resulta de uma parceria entre a Plataforma Saúde em Diálogo, o Programa FOCUS — financiado pela Gilead Sciences — e a Associação Nacional das Farmácias (ANF).

O programa assenta na realização de testes rápidos, gratuitos e acompanhados de aconselhamento pré e pós-teste. Em caso de resultado reativo, está prevista a referenciação protocolada para os cuidados de saúde. A participação é voluntária, confidencial e pode ser feita de forma anónima.

Um dos elementos distintivos do projeto é a colaboração com associações de base comunitária, articulada pela Plataforma Saúde em Diálogo. Mediante consentimento, em caso de resultado reativo, a farmácia pode acionar um profissional dedicado — patient navigator — que apoia o utente no percurso no Serviço Nacional de Saúde, garantindo a integração no circuito hospitalar para confirmação diagnóstica e início atempado de cuidados.

José Luis González, diretor international do Programa FOCUS da Gilead Sciences em Portugal e Espanha, destaca que o projeto reflete o compromisso com a eliminação das infeções por VIH e hepatites virais como ameaças à saúde pública, sublinhando a importância de expandir modelos de rastreio de proximidade.

Também Jaime Melancia, presidente da Plataforma Saúde em Diálogo, considera que as farmácias são um ponto-chave para chegar a pessoas que, de outra forma, poderiam não realizar estes rastreios, valorizando a integração das associações comunitárias para assegurar o acompanhamento efetivo dos casos reativos.

A Associação Nacional das Farmácias destaca, por sua vez, o papel das farmácias na promoção da saúde pública, salientando a sua proximidade e relação de confiança com as comunidades. A presidente da ANF, Ema Paulino, refere que este contexto é fundamental para ultrapassar barreiras associadas ao estigma destas infeções, garantindo um ambiente seguro ao longo de todo o processo.

Apesar dos progressos, o VIH continua a representar um desafio em Portugal. Entre 1983 e 2024, foram diagnosticados mais de 66 mil casos de infeção, dos quais cerca de 24 mil evoluíram para SIDA. Embora os novos diagnósticos tenham diminuído na última década, o país mantém valores acima da média europeia, com particular incidência de diagnóstico tardio.

Desde 2010, o Programa FOCUS já contribuiu para a realização de mais de 24,7 milhões de testes a nível internacional, reforçando os sistemas de saúde pública nos Estados Unidos, Espanha e Portugal, através de abordagens adaptadas ao contexto local e da integração entre saúde comunitária e Serviço Nacional de Saúde.

COMUNICADO/SO

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