“Não percam a motivação de continuar a exercer Medicina Interna”
O 18.º Encontro Nacional de Internos de Medicina Interna (ENIMI) decorreu, em junho, em Portimão. Flávia Freitas é a nova coordenadora do Núcleo de Internos de Medicina Interna (NIMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna e faz um balanço do evento. Deixa, ainda, uma mensagem de motivação para os internos.

Que balanço faz do 18.º Encontro do Núcleo de Internos de Medicina Interna?
No global, o balanço é positivo.
Em termos das temáticas abordadas, o que gostaria de destacar?
Procurámos ter um programa que fosse ao encontro de questões relacionadas com a gestão do doente da Medicina Interna, mas também quisemos abordar e debater outras temáticas importantes para a especialidade, nomeadamente o que se pode fazer para além da Medicina ou a criação da especialidade de Medicina de Urgência e Emergência.
E o que pensam os internos de Medicina Interna sobre a criação da nova especialidade da Medicina de Urgência e Emergência?
Para nós, ainda é difícil perceber qual é a nossa opinião sobre esta especialidade, sobretudo porque ainda falta esclarecer como é que esta poderá interferir no trabalho do médico internista, sobretudo na urgência. O interno de Medicina Interna vai fazer urgência, tal como outras especialidades? E as outras especialidades que fazem urgência em Medicina Interna? Essas são as principais questões que temos. São dúvidas para as quais ainda não temos resposta.
A Medicina Interna tem sido das especialidades mais afetada com as atuais convulsões no Serviço Nacional de Saúde (SNS). É algo que vos preocupa como internos?
Sim, preocupa-nos sempre. A Medicina Interna é uma especialidade que assegura a maior parte das urgências deste país. Mas há cada vez menos internos a optar por esta área por considerarem que exige uma grande sobrecarga de trabalho, com várias valências e com o peso das urgências. A região mais problemática, com falta de internistas, é o Sul, daí a realização do encontro em Portimão.
“Podem contar sempre com o NIMI, que procura criar redes entre os diferentes internos de todo o país”
Assumiu a coordenação no evento. Quais são os objetivos para este mandato de dois anos?
A nossa intenção é representar os internos no seio da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) e os nossos principais pilares são fomentar a formação, apoiar os internos no seu internato, dando-lhes algumas ferramentas formativas, mas também, por exemplo, criando uma base de dados de estágios e de revistas onde podem publicar. Em suma, pretende-se facilitar um pouco o trabalho do interno ao longo desta fase.
Queremos também manter a ligação à SPMI, de modo que possamos estar presentes nas várias atividades. O nosso papel é mais no âmbito formativo de apoio, não tanto reivindicativo. Podemos, contudo, emitir alguns pareceres sobre determinadas questões, enquanto representantes dos internos de Medicina Interna, e participar em reuniões com a Ordem dos Médicos e outros órgãos, quando nos for pedida essa consultoria.
Que mensagem gostaria de deixar aos internos?
Realço que esta especialidade tem um papel muito importante no SNS, por isso não percam a motivação de continuar a exercer Medicina Interna. Olhem para os seus vários pontos positivos. Podem contar sempre com o NIMI, que procura criar redes entre os diferentes internos de todo o país. Estas redes são importantes para se possa, inclusive, criar projetos ou falar de questões relacionadas com o internato.
SO











