Os resultados preliminares representam “boas notícias” para Anthony Fauci, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos da América (NIH, na sigla inglesa), agência que ajudou no financiamento da investigação.

“Poderemos ser capazes de aumentar a sobrevivência de pessoas com Ébola”, acrescentou Fauci, citado pela agência Associated Press.

Os resultados surgem num momento em que o mundo enfrenta a segunda maior epidemia do vírus do Ébola desde que há registo, com mais de 1.800 mortos no que começou por ser um surto na República Democrática do Congo (RDCongo).

Os dois medicamentos – um desenvolvido pela NIH, e outro pela farmacêutica norte-americana Regeneron Pharmaceuticals – são compostos por anticorpos que pretendem bloquear o vírus.

Embora a investigação refira a existência de uma vacina eficaz contra o vírus, que já se encontra a ser utilizada na RDCongo, esta aponta que nenhum estudo indicou a existência de qualquer potencial tratamento para pessoas infetadas.

Durante a epidemia que atingiu a África Ocidental há alguns anos, alguns estudos admitiam uma eficácia parcial numa outra mistura de anticorpos, denominada ZMapp, mas sem apresentar qualquer prova.

Neste novo estudo os investigadores compraram a eficácia da ZMapp com três outros medicamentos: os compostos da Regeneron, da NIH, apelidado mAb114, e o antivírus remdesivir.

Na sexta-feira, os responsáveis pelo estudo analisaram os efeitos em várias centenas de pacientes infetados na RDCongo.

O painel determinou que o composto da Regeneron estava a apresentar uma eficácia superior aos restantes, com o da NIH a obter resultados semelhantes.

Fauci sublinhou que estes resultados são preliminares, mas que o número de mortes registadas entre os pacientes a quem foi administrado os compostos da Regeneron ou da NIH foi cerca de um terço do que aqueles a quem foi tratado com ZMapp.

Além disso, os compostos da Regeneron (6%) e da NIH (11%) apresentaram ainda taxas de mortalidade inferiores quando administrados quando o vírus ainda está pouco presente na corrente sanguínea dos infetados, valores abaixo dos 24% registados pelo ZMapp.

Michael Ryan, da Organização Mundial de Saúde (OMS), destacou a importância dos tratamentos, assinalando que morrem três em cada quatro pessoas que não recebem tratamento médico.

O membro da agência das Nações Unidas assinalou que todos os centros de tratamento de Ébola na RDCongo têm acesso aos dois medicamentos e mostrou-se esperançado de que estes desenvolvimentos possam incentivar mais pacientes a procurar cuidados médicos.

A Organização Mundial de Saúde declarou no dia 17 de julho o estado de emergência internacional na RDCongo devido ao Ébola.

Desde que a epidemia do vírus foi declarada no país, em 01 de agosto de 2018, já foram vacinadas 181.389 pessoas.

O Ébola transmite-se pelo contacto com fluídos corporais infetados e a rapidez do tratamento é determinante para as possibilidades de sobrevivência, mas muitas pessoas não acreditam que o vírus é real e optam por ficar em cada quando estão doentes, infetando quem cuida deles, alertam os profissionais de saúde.

SO/LUSA

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