Uma equipa de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona (UAB) encontrou a cura para a diabetes tipo 2 em ratos através de um tratamento de terapia genética. O estudo foi apresentado pela equipa de investigação numa conferência de imprensa realizada esta segunda-feira no campus da UAB em Bellaterra, onde o grupo de investigadores, liderado pela professora Fátima Bosch, esteve presente.

Trata-se de um grande e fundamental ponto de partida para conseguir a aplicação desta mesma terapia em humanos. Com a introdução, numa única injeção, de um vetor viral adeno-associado (AAV) portador do gene FGF21 (Fator de Crescimento de Fibroblastos 21), que permite a manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo-esquelético, o animal produz continuamente a proteína FGF21. Esta proteína fez com que os animais perdessem peso ( o que leva os investigadores a pensar que possa estar também aqui a solução para a obesidade) e eliminou a resistência do organismo à insulina, resistência essa que provoca a diabetes tipo 2.

A proteína é uma hormona produzida naturalmente por vários órgãos e que atua em muitos tecidos para regular o funcionamento correto no nível de energia, induzindo assim a sua produção por terapia genética, e levando a que o animal reduza o seu peso assim como a resistência à insulina.

Para além de terem colocado os animais a produzir continuamente a proteína FGF21, o tratamento de terapia genética não provocou quaisquer efeitos secundários a longo prazo, tendo-se registado até um rejuvenescimento dos ratos.

Se este técnica funcionar em pessoas, estará dado um grande passo no combate a este tipo de diabetes, o mais comum, que afeta mais de 90% dos doentes. Fátima Bosch prevê que a terapia possa começar a ser testada em humanos no prazo de cinco anos.

“Esta é a primeira vez que se consegue contrariar a obesidade e a resistência à insulina mediante a administração de uma única sessão de terapia genética  naquele que é o modelo animal cuja obesidade e diabetes tipo 2 mais se assemelha aos humanos. Os resultados demonstram que é uma terapia segura e eficaz”, explica a autora principal do estudo, a investigadora da UAB Verónica Jiménez.

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