ULS São José confirma saída de quatro anestesiologistas do Dona Estefânia
Quatro anestesiologistas vão deixar o Hospital Dona Estefânia em outubro, confirmou a ULS São José, que prevê um impacto reduzido devido às ausências que já se verificavam e ao reforço entretanto feito na equipa, com novas contratações e recurso a outros especialistas.

Quatro médicos anestesiologistas vão deixar o Hospital Dona Estefânia no próximo mês, confirmou a Unidade Local de Saúde São José (ULSSJ), que prevê um impacto reduzido no serviço.
“No Hospital Dona Estefânia (HDE), confirmam-se quatro rescisões de médicos anestesiologistas, com efeito em outubro”, adiantou à agência Lusa a unidade de saúde, que gere sete hospitais em Lisboa.
A ULSSJ prevê que a saída dos quatro especialistas tenha um impacto reduzido, alegando que três já se encontravam ausentes há vários meses — um por licença parental e dois por doença prolongada — e que o quarto exercia funções em tempo parcial.
A unidade salientou também que a equipa tem sido reforçada. Desde junho, foram contratados quatro especialistas em anestesiologia para o quadro permanente da ULS e seis novos prestadores de serviços, que atualmente desempenham funções no HDE.
Além disso, o serviço de anestesiologia é “gerido de uma forma global” entre os sete hospitais que integram a ULS, existindo outros anestesiologistas com diferenciação em pediatria que podem, quando necessário, ser mobilizados temporariamente para o HDE, adiantou a unidade.
No início deste mês, os nove chefes de equipa da urgência pediátrica do Hospital Dona Estefânia apresentaram a demissão dos cargos, alegando constrangimentos relacionados com a anestesiologia.
Na altura, a ULSSJ esclareceu que as demissões diziam respeito exclusivamente às funções de coordenação e chefia que desempenhavam na urgência pediátrica. Reconheceu ainda a existência de “constrangimentos no preenchimento das escalas de anestesiologia”, devido à menor disponibilidade de profissionais durante o período de férias e à escassez de anestesiologistas a nível nacional.
Recentemente, a Ordem dos Médicos estimou que o Serviço Nacional de Saúde precisa de mais 600 anestesiologistas e defendeu a criação de uma estratégia nacional para atrair e reter especialistas desta área no serviço público de saúde.
A unidade de saúde considerou que, num serviço com a dimensão da anestesiologia da ULSSJ — que integra 83 especialistas, 41 médicos em formação no âmbito do internato e mais de 20 prestadores de serviços —, é “expectável que ocorram movimentos de entrada e saída de profissionais, associados a diferentes situações, como aposentação, rescisão contratual ou mobilidade”.
A ULSSJ salientou ainda que dispõe de “um dos maiores quadros de especialistas em anestesiologia do país”, reconhecendo, contudo, que a sua dispersão por vários hospitais de elevada diferenciação na cidade de Lisboa “determina necessidades de recursos particularmente exigentes”.
Segundo a unidade, essas necessidades são superiores às de outras instituições de dimensão comparável, mas cuja atividade assistencial está mais concentrada.
A ULS São José assegurou também que tem desenvolvido “todos os esforços” para reforçar os recursos humanos disponíveis nesta área, promovendo a captação de médicos especialistas e recorrendo, sempre que necessário, à contratação de prestadores de serviços e à colaboração de médicos aposentados.
A ULS São José foi classificada como zona geográfica carenciada para a especialidade de anestesiologia no despacho do Governo deste ano que prevê a atribuição de incentivos aos médicos a contratar pelas ULS.
Para a unidade de saúde, esta medida constitui um “importante instrumento para reforçar a capacidade de atração e fixação” de profissionais de saúde.
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