6 Nov, 2026

Biotecnológica portuguesa recebe 13 milhões da UE para desenvolver terapia contra a osteoartrose

A Exogenus Therapeutics, sediada em Cantanhede, lidera um dos três projetos selecionados pela Comissão Europeia para desenvolver terapias inovadoras baseadas no secretoma celular. O financiamento de 13 milhões de euros permitirá avançar com um potencial tratamento para a osteoartrose, numa investigação que deverá prolongar-se por cinco anos.

Biotecnológica portuguesa recebe 13 milhões da UE para desenvolver terapia contra a osteoartrose

Uma empresa portuguesa de biotecnologia vai liderar um consórcio internacional que recebeu 13 milhões de euros de financiamento europeu para desenvolver um medicamento inovador destinado a travar a progressão da osteoartrose, uma doença crónica que afeta a mobilidade.

A Exogenus Therapeutics, instalada no Biocant Park, em Cantanhede, no distrito de Coimbra, integra o grupo de apenas três projetos selecionados pela Comissão Europeia, que disponibilizou um total de 40 milhões de euros para o desenvolvimento de terapias inovadoras baseadas no secretoma celular.

O consórcio, liderado pela empresa portuguesa, reúne 10 entidades de Portugal, Reino Unido, Países Baixos, Suíça e Estados Unidos, com competências em áreas como a biotecnologia, o desenvolvimento clínico, a regulamentação, a imagiologia e os cuidados de saúde.

“Estou muito orgulhosa deste reconhecimento europeu. Só financiaram três projetos, o nosso foi um deles e acho que isso é o reconhecimento de todo o valor que temos e do percurso que fizemos, com muitos altos e baixos, ao longo de 11 anos, que finalmente nos leva a poder chegar à aplicação clínica”, afirmou à agência Lusa Joana Correia, diretora executiva e fundadora da Exogenus Therapeutics.

Financiado pelo programa Horizonte Europa, o projeto, denominado EXO-101, terá a duração de cinco anos e pretende validar clinicamente o novo medicamento como um potencial tratamento modificador da osteoartrose, doença crónica que compromete a mobilidade e afeta sobretudo as pessoas mais velhas.

Segundo a empresa, o projeto procura também ultrapassar obstáculos científicos, de fabrico, controlo de qualidade e regulamentação associados ao desenvolvimento de terapias baseadas em vesículas extracelulares e no secretoma.

A tecnologia desenvolvida pela Exogenus Therapeutics assenta na utilização de secretomas enriquecidos em vesículas extracelulares. Em termos mais simples, explicou Joana Correia, licenciada em Bioquímica e doutorada em Biologia Humana, o processo começa com células provenientes do sangue do cordão umbilical.

“A palavra ‘secretoma’ vem de secreção e, o que nós fazemos, é pegar em células do sangue do cordão umbilical, pô-las em laboratório e aplicar determinadas condições de cultura, para que libertem partículas muito pequeninas, invisíveis a olho nu, e que acarretam moléculas que têm a eficácia”, explicou.

“São células especiais, que libertam partículas especiais e que nós otimizamos e transformamos, depois, num produto injetável”, acrescentou.

O consórcio ExoCordOA inclui, além da empresa portuguesa, o laboratório de investigação e desenvolvimento em biotecnologia iLoF, do Porto, duas entidades britânicas, uma especializada em células estaminais e outra em imagiologia, a multinacional suíça de biotecnologia Lonza e uma consultora norte-americana da área das ciências da vida.

Dos Países Baixos participam ainda quatro instituições: a ReumaNederland, dedicada à investigação em reumatismo, a Universidade de Utrecht e os centros médicos universitários de Utrecht e Maastricht.

O financiamento agora atribuído permitirá cobrir “mais de metade do desenvolvimento do novo medicamento”, incluindo ensaios clínicos numa população restrita de 90 pessoas e o cumprimento das exigências das entidades reguladoras em países como Portugal, Alemanha e Estados Unidos.

Apesar de o projeto ter uma duração prevista de cinco anos, a eventual chegada da terapia ao mercado deverá exigir mais dois a três anos, estimou Joana Correia.

Ficará ainda por realizar a fase três dos ensaios clínicos, que envolverá uma população mais alargada e permitirá aprofundar a validação do medicamento antes da eventual aprovação e utilização na prática médica.

“São caminhos de desenvolvimento longos, nesta área é muito comum, o desenvolvimento é regulado, dispendioso e leva muito tempo”, salientou a responsável.

 

LUSA/SO

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