ONU aprova classificação criada em Coimbra para uniformizar registo dos locais de morte
Desenvolvida por investigadores da Universidade de Coimbra, a nova classificação internacional pretende harmonizar os dados sobre os locais onde as pessoas morrem e recebem cuidados no fim de vida. A ferramenta poderá ajudar a melhorar as estatísticas e a fundamentar políticas de saúde e apoio social.

A Comissão Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma classificação internacional de locais de morte desenvolvida na Universidade de Coimbra (UC), que pretende uniformizar o registo e permitir a comparação destes dados entre países.
“A ONU reconhece esta classificação como uma ferramenta vital para melhorar os dados sobre saúde e os cuidados de saúde a nível mundial”, afirmou a UC, em comunicado enviado à agência Lusa.
A Classificação Internacional de Locais de Morte (ICP, na sigla inglesa) foi desenvolvida no âmbito do projeto EOLinPLACE – Escolha de onde morremos: uma reforma da classificação para discernir a diversidade nos percursos individuais de fim de vida.
Com a aprovação da Comissão Estatística da ONU, a classificação passa a integrar a Família de Classificações Internacionais das Nações Unidas.
Segundo a universidade, esta decisão incentiva os países a adotarem a ICP, permitindo comparar dados internacionalmente e produzir estatísticas globais que apoiem decisões destinadas a melhorar os cuidados prestados às pessoas no fim de vida, nos diferentes locais onde podem e desejam estar.
A classificação pretende tornar mais consistente e completa a forma como os países registam e analisam informação sobre os locais de morte e de prestação de cuidados no final da vida.
“Vem dar resposta à necessidade de existirem métricas comuns robustas, capazes de ir para além dos atuais simples registos de lugar de morte, e que incluam também os diversos locais onde as pessoas recebem cuidados durante a fase final da sua vida”, explicou a UC.
A investigadora Bárbara Gomes, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, responsável pela ideia, salientou que não existia até agora uma classificação internacional deste tipo e que “as classificações nacionais são incompletas e inconsistente”, o que dificulta a comparação de informação.
Esta situação faz com que as análises entre países se limitem frequentemente à distinção entre mortes ocorridas em casa e em hospitais. Mesmo essas comparações, acrescentou, não são rigorosas, devido às diferenças nas categorias utilizadas e nos locais que cada uma abrange.
A nova classificação contempla cinco grandes tipos de locais de morte: habitação ou domicílio; instituições de saúde ou de outros tipos de cuidados; outras instalações; veículos; e espaços exteriores. Cada categoria inclui subdivisões mais específicas.
O sistema permite ainda identificar outros locais que não estejam previstos nas categorias estabelecidas, através de uma descrição livre, bem como assinalar situações em que o local da morte é desconhecido.
Para Bárbara Gomes, também investigadora do Centro de Inovação em Biomedicina e Biotecnologia, a adoção da ICP poderá contribuir para desenvolver políticas públicas de saúde e de apoio social mais bem fundamentadas, em particular na área dos cuidados paliativos.
“Há muitas áreas de atuação onde os dados sobre locais de cuidados e de morte têm impacto direto nas decisões dos governos e das organizações internacionais, em situações normais ou de crise, por exemplo, humanitária”, acrescentou.
A classificação foi desenvolvida com base em estudos realizados ao longo dos últimos quatro anos, que procuraram perceber onde as pessoas recebem cuidados e onde preferem ser cuidadas e, eventualmente, morrer.
A recolha de evidência científica contou com a colaboração de instituições de Portugal, dos Países Baixos e do Uganda.
O trabalho envolveu também representantes de doentes e cuidadores, incluindo familiares e profissionais.
LUSA/SO
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