OMS propõe medidas contra alterações climáticas para salvar 1,6 milhões vidas anuais
O documento, apresentado poucos dias antes da realização da reunião anual da ONU sobre alterações climáticas (COP31), em Antalya (Turquia), mostra que a instalação de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, serviços de abastecimento de água potável resistentes às alterações climáticas e outras medidas poderiam gerar benefícios anuais de 3,9 biliões de dólares (3,49 biliões de euros).

Um relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) defende que seis medidas sanitárias e climáticas de custo relativamente baixo poderiam salvar 1,6 milhões de vidas por ano e gerar biliões de dólares em benefícios económicos e fiscais. O documento, apresentado poucos dias antes da realização da reunião anual da ONU sobre alterações climáticas (COP31), em Antalya (Turquia), mostra que a instalação de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, serviços de abastecimento de água potável resistentes às alterações climáticas e outras medidas poderiam gerar benefícios anuais de 3,9 biliões de dólares (3,49 biliões de euros).
A isso somar-se-iam outros 5,4 biliões de dólares (4,83 biliões de euros) adicionais em benefícios fiscais, apontam os especialistas da OMS, que também citam, entre as medidas a adotar, o investimento em serviços básicos de saneamento, higiene e lavagem das mãos.
A adoção de combustíveis mais limpos para cozinhar e aquecer as residências, bem como políticas de fixação de preços para combustíveis fósseis, completam a lista de medidas que poderiam evitar uma em cada 40 mortes anuais, segundo as projeções da organização. “O relatório demonstra que a aplicação de medidas eficazes e acessíveis poderia salvar milhões de vidas, com os maiores benefícios nos países que mais precisam delas”, destacou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.
O responsável pela área de Clima, Saúde e Economia da OMS, Frank Pega, que apresentou o relatório, disse tratar-se de “uma das maiores oportunidades de investimento em saúde do século XXI, com um retorno que poucas outras iniciativas poderiam igualar”. Olhando para a COP31, que começa em 9 de novembro, o principal dirigente da agência de saúde da ONU afirmou que a proteção da saúde “deve ocupar um lugar central” nas discussões.
As medidas propostas pela OMS poderiam contribuir para evitar a emissão de 16.700 milhões de toneladas de dióxido de carbono, equivalentes a 31% das emissões anuais de gases de efeito estufa, excluindo-se as provenientes do uso da terra e da silvicultura.
Segundo a OMS, para cada dólar investido nessas medidas consegue gerar 24 dólares em benefícios — valor ainda maior no caso de sistemas de alerta sanitário para ondas de calor, nos quais a organização estima um retorno de 835 dólares para cada dólar investido. Quanto às políticas de fixação preços dos combustíveis fósseis — que incluiriam a eliminação de subsídios ineficientes e a aplicação de impostos sobre o seu uso —, a OMS calcula que permitiriam evitar 1,2 milhões de mortes por ano e gerar, anualmente, três biliões de dólares (2,68 biliões de euros) em benefícios.
SO/LUSA
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