6 Nov, 2026

Programa de prevenção do suicídio “Mais Contigo” vai ser alargado ao ensino superior

Vai ser testado o alargamento do programa de promoção da saúde mental e prevenção de do suicídio "Mais Contigo" aos estudantes do ensino superior. O projeto-piloto arranca com ações de formação destinadas a docentes universitários, com o objetivo de melhorar a identificação de sinais de sofrimento psicológico e promover ambientes académicos mais saudáveis e inclusivos.

Programa de prevenção do suicídio “Mais Contigo” vai ser alargado ao ensino superior
Até agora para adolescentes do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, o programa “Mais Contigo” prepara-se para chegar ao ensino superior através da iniciativa “Mais Contigo Universidades”.

As primeiras oficinas arrancam na próxima quarta-feira e destinam-se a capacitar os docentes para o acolhimento dos estudantes, desenvolvendo competências de escuta ativa, empatia e identificação de sinais de sofrimento psicológico.

A iniciativa pretende contribuir para a criação de “um ambiente universitário saudável, inclusivo e acolhedor”, segundo a ESEUC. O projeto será conduzido por Fabíola Gomes e Karine Zago, professoras da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Uberlândia, no Brasil, especialistas em Ciências da Saúde e Saúde Mental, que se encontram a realizar pós-doutoramento na ESEUC.

As investigadoras já adaptaram as diferentes etapas do programa português às necessidades dos jovens adultos que frequentam o ensino superior. Segundo as docentes, “a saúde mental dos estudantes universitários apresenta elevados índices de adoecimento, sobretudo de depressão e ansiedade”.

“Cuidar da saúde mental desta população é essencial para promover o seu bem-estar, a permanência na universidade e o sentimento de pertença”, sublinham.

Formação aborda ansiedade, depressão e risco de suicídio

Ao longo das oficinas, os docentes vão aprofundar conhecimentos sobre o perfil dos estudantes universitários e os fatores que influenciam a sua saúde mental, incluindo o sentimento de pertença, as relações interpessoais e as dificuldades de adaptação ao contexto académico.

A formação contempla ainda técnicas de acolhimento e escuta ativa, estratégias para lidar com o abandono e a retenção académica, bem como a identificação e abordagem de situações de ansiedade, depressão, autolesão não suicidária e risco de suicídio.

José Carlos Santos, coordenador nacional do “Mais Contigo”, explica que, após a aplicação do projeto-piloto desenvolvido na Universidade Federal de Uberlândia, serão avaliados os resultados, as implicações e o que advém desta experiência em prol da saúde mental.

Com base nessa avaliação, será ponderada a implementação de um subprograma “Mais Contigo Universidades”, em articulação com a Unidade Diferenciada de Desenvolvimento Humano Integral e Ambientes Salutogénicos da ESEUC, dirigida por António Nabais.

Mais de metade das chamadas para a Linha 1411 são de jovens adultos

José Carlos Santos, especialista em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica e coordenador da Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico – 1411, destaca a crescente necessidade de apoio psicológico entre os jovens adultos.

Segundo o responsável, mais de 50% das pessoas que contactam a linha têm entre 18 e 34 anos, embora não seja possível distinguir quantas são estudantes e quantas se encontram já no mercado de trabalho.

Neste contexto, o alargamento do programa ao ensino superior poderá constituir “mais um instrumento para trabalhar um grupo que tem revelado, nos últimos tempos, mais procura de ajuda e mais sofrimento mental”.

Criado há 18 anos pela ESEUC e pela então Administração Regional de Saúde do Centro, o “Mais Contigo” começou por ser uma iniciativa de âmbito local, tendo posteriormente alcançado dimensão nacional, através de uma rede de parceiros distribuídos pelo país.

SO/LUSA
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