11 Set, 2026

ULS do Algarve nega ter proibido trabalhadores de frequentarem Curso de Medicina

A ULS do Algarve negou ter proibido os seus trabalhadores de frequentarem o curso de Medicina da Universidade do Algarve, esclarecendo que as declarações do presidente do conselho de administração sobre uma alegada incompatibilidade foram retiradas de contexto.

ULS do Algarve nega ter proibido trabalhadores de frequentarem Curso de Medicina

Em resposta a uma pergunta do grupo parlamentar do PS, à qual a Lusa teve acesso, a Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve salientou que “nunca adotou qualquer deliberação, orientação ou posição interna que proíba, de forma geral, os seus trabalhadores de frequentarem o Curso de Medicina da Universidade do Algarve, nem determinou a cessação obrigatória dos respetivos vínculos laborais por esse motivo”.

Na terça-feira, o PS questionou a ministra da Saúde sobre a alegada decisão da ULS do Algarve de impedir trabalhadores de manterem o vínculo laboral enquanto frequentam Medicina na Universidade do Algarve, exigindo conhecer a respetiva base legal.

Segundo o grupo parlamentar socialista, em causa estavam declarações públicas do presidente do Conselho de Administração da ULS do Algarve, Tiago Botelho, ao considerar que a frequência do curso de Medicina por trabalhadores da instituição seria incompatível, por alegada “acumulação de funções”.

Na resposta aos socialistas, a ULS do Algarve alegou que as afirmações do presidente do conselho de administração “foram indevidamente interpretadas e retiradas do respetivo contexto”.

“A referência efetuada teve por objetivo salientar que a frequência de um curso com o elevado grau de exigência e dedicação inerente à formação médica é dificilmente compatível, do ponto de vista prático, com o exercício simultâneo de atividade profissional regular, ainda que a tempo parcial”, explicou a unidade local de saúde.

Essa observação, acrescentou, resultou “exclusivamente de uma preocupação com o sucesso académico dos estudantes” e com “a adequada gestão dos recursos humanos disponíveis”.

A ULS do Algarve garantiu cumprir as disposições legais aplicáveis aos trabalhadores-estudantes e esclareceu também que a frequência de um curso superior “não é considerada” pela instituição “uma situação de acumulação de funções”, pelo que “não existe qualquer decisão institucional que condicione ou impeça” a frequência do curso de Medicina pelos seus trabalhadores.

Lembrando que a Faculdade de Medicina da Universidade do Algarve “tem vindo a incentivar os estudantes a dedicarem-se exclusivamente ao curso”, a ULS sublinhou que acompanha essa orientação “por entender que tal constitui a solução mais favorável ao sucesso académico e à qualidade da formação médica”.

A ULS do Algarve considerou ainda “positiva” a frequência do curso por profissionais já integrados na instituição, “por representar uma oportunidade relevante de reforço futuro” do número de médicos na região.

A unidade vincou que tem estado disponível para que estes estudantes colaborem através de prestação de serviços em regime parcial, evitando ocupar postos de trabalho permanentes que se revelem necessários para a contratação de novos profissionais, como enfermeiros, exemplificou.

Na quarta-feira, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) acusou Tiago Botelho de “prepotência”, salientando que o responsável “sabia que estava a cometer uma ilegalidade” quando afirmou que a administração da ULS “tinha decidido não aprovar ‘acumulações de funções’”.

“Ainda que, entretanto, tenha dado o dito por não dito, como não poderia de ser face à ilegalidade, o que fica é o que está subjacente às declarações iniciais proferidas”, apontou o SEP.

 

LUSA/SO

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