10 Set, 2026

Linha de Prevenção do Suicídio recebeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano

A Linha Nacional de Prevenção do Suicídio recebeu cerca de 25.600 chamadas no primeiro ano de funcionamento, das quais quase 700 correspondiam a situações de risco iminente de suicídio, revelou o coordenador clínico do serviço.

Linha de Prevenção do Suicídio recebeu mais de 25 mil chamadas no primeiro ano

A linha 1411 entrou em funcionamento em 10 de setembro de 2025 e as mulheres e os jovens entre os 18 e os 29 anos foram os que mais procuraram este serviço, avançou à Lusa José Carlos Santos.

Para o coordenador clínico, o número de chamadas registado é “bastante considerável”, tendo em conta que se trata de um serviço recente e que ainda existem pessoas que desconhecem a sua existência.

A linha funciona 24 horas por dia e é assegurada por cerca de 70 psicólogos clínicos e enfermeiros especialistas em saúde mental, com formação em suicidologia.

Cerca de 80% das chamadas foram atendidas, uma taxa que José Carlos Santos considera “um bom indicador” e que compara favoravelmente com referências internacionais. O tempo médio de espera ronda os 50 segundos, embora algumas chamadas tenham sido atendidas em cerca de 10 segundos e outras tenham esperado até três minutos.

As mulheres representam cerca de 60% dos contactos e os homens 40%. O grupo dos 18 aos 29 anos concentra mais de 40% das chamadas.

O responsável alertou para a menor procura da linha por parte dos homens, que poderá estar relacionada com uma maior dificuldade em expressar emoções e pedir ajuda. “Pedir ajuda não é nenhuma fraqueza”, salientou, defendendo que reconhecer a necessidade de apoio pode ser “um ato de inteligência” e de autoconhecimento.

José Carlos Santos deixou também uma mensagem dirigida às pessoas mais velhas, lembrando que podem encontrar na linha profissionais preparados para ouvir, em condições de confidencialidade, e encaminhar os casos sempre que necessário.

Entre os motivos mais frequentes dos contactos estão sintomas associados a ansiedade e depressão, ideação suicida e conflitos relacionais e familiares. Há também pessoas que ligam preocupadas com amigos ou familiares em sofrimento, procurando saber como podem ajudar e o que devem ou não dizer.

Picos de procura no Natal e no verão

A linha, coordenada pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, registou um primeiro aumento da procura em novembro e dezembro, sobretudo durante a época natalícia, e um segundo pico, de maior dimensão, em julho e agosto.

Segundo o coordenador, o aumento no período do Natal poderá estar relacionado com situações de solidão e isolamento, lembrando que esta época “nem sempre é só alegria e festas” e pode ser particularmente difícil para quem está sozinho.

Durante o verão, a maior procura poderá estar associada também a situações de isolamento, nomeadamente entre pessoas que não têm possibilidade de sair de férias ou que não têm companhia.

José Carlos Santos enquadrou a procura da linha num contexto mais abrangente de saúde mental, recordando que o último estudo epidemiológico nacional aponta para cerca de 25% da população com um problema de saúde mental.

Portugal apresenta, contudo, uma taxa de suicídio de cerca de 10 mortes por 100 mil habitantes, que o responsável considera não ser muito elevada. A incidência é maior entre os idosos, enquanto entre os adolescentes a taxa é inferior a cinco por 100 mil habitantes.

O coordenador destacou a necessidade de reforçar a prevenção junto dos adolescentes, tendo em conta o risco de fenómenos de imitação ou contágio após um suicídio, mas também entre os idosos, devido a situações de isolamento, solidão e doença mental.

Defendeu ainda uma intervenção sobre os determinantes sociais da saúde mental, nomeadamente as desigualdades sociais, que podem contribuir para o sofrimento psicológico.

Para José Carlos Santos, a prevenção do suicídio “é uma tarefa de todos”, envolvendo não apenas os ministérios da Saúde, Educação, Administração Interna e Emprego, mas também autarquias, escolas, locais de trabalho, empresas e comunidades.

O responsável sublinhou ainda que pedir ajuda não deve ser encarado como sinal de fraqueza e que as crises suicidárias são, em regra, limitadas no tempo, existindo por isso margem para intervenção e prevenção.

No balanço do primeiro ano da linha, deixou um agradecimento aos profissionais envolvidos e destacou igualmente o trabalho desenvolvido pelas restantes linhas de apoio existentes em Portugal, muitas delas asseguradas por voluntários, que considerou terem um papel “muitíssimo importante” na prevenção do suicídio.

 

LUSA/SO

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