ULS Almada-Seixal cria consulta liderada por farmacêuticos para doentes sem médico de família
A iniciativa surge num contexto em que muitos utentes sem médico de família recorrem a múltiplas consultas em diferentes locais, incluindo serviços de urgência, o que aumenta o risco de polimedicação e de erros associados à medicação.

A ULS Almada-Seixal criou um modelo pioneiro de consulta orientado por farmacêuticos hospitalares, dirigido a utentes sem médico de família, com o objetivo de melhorar a gestão da medicação e aumentar a segurança dos tratamentos. O projeto arrancou em março de 2025 na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) da Amora e foi alargado, em novembro, à UCSP de Almada. Desde então, foram realizadas 217 consultas, incluindo primeiras consultas e sessões de seguimento, que resultaram em 592 intervenções terapêuticas.
De acordo com a ULS, este modelo permite identificar problemas como duplicação de medicamentos, ajustar doses, suspender fármacos desnecessários e solicitar exames complementares, contribuindo para a otimização dos regimes terapêuticos.
A iniciativa surge num contexto em que muitos utentes sem médico de família recorrem a múltiplas consultas em diferentes locais, incluindo serviços de urgência, o que aumenta o risco de polimedicação e de erros associados à medicação.
A consulta baseia-se numa abordagem multidisciplinar, em que o farmacêutico hospitalar trabalha diretamente nos cuidados de saúde primários, em articulação com médicos de medicina geral e familiar. As propostas de intervenção são discutidas em tempo real, permitindo ajustar imediatamente a prescrição. Segundo a farmacêutica Helena Duarte, uma das responsáveis pelo projeto, esta proximidade entre profissionais permite resolver rapidamente situações de risco, como interações medicamentosas ou duplicações terapêuticas.
Antes da consulta, a equipa analisa o historial clínico e medicamentoso dos doentes, podendo também encaminhá-los para outras especialidades ou solicitar exames adicionais, consoante as necessidades identificadas. Os dados mostram que as intervenções mais frequentes incluem a deteção de medicamentos inadequados, a suspensão de fármacos e pedidos de análises.
Além dos benefícios clínicos, o modelo apresenta também impacto económico. Em seis meses, apenas na UCSP da Amora, a revisão da medicação permitiu uma poupança anual estimada superior a 14 mil euros, parte dos quais suportados pelo Serviço Nacional de Saúde. A ULS admite que o projeto poderá ser alargado a outras unidades, tendo em conta os resultados positivos alcançados. A ULS Almada-Seixal integra o Hospital Garcia de Orta e os centros de saúde da região, prestando cuidados a cerca de 350 mil habitantes no distrito de Setúbal.
SO/LUSA
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