20 Mar, 2026

Ministra da Saúde apela a grávidas para recorrerem ao SNS e alerta para riscos de partos em casa

As declarações sobre os partos em casa surgem na sequência de uma notícia do Expresso, que indica que 1.207 grávidas optaram por ter os filhos fora do hospital nos últimos sete anos, com base em dados da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras.

Ministra da Saúde apela a grávidas para recorrerem ao SNS e alerta para riscos de partos em casa

A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, apelou esta sexta-feira às grávidas para que sejam acompanhadas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e realizem os partos em contexto hospitalar, manifestando preocupação com a segurança dos partos realizados em casa. “São os partos que nos preocupam, porque são feitos em condições caseiras e, mesmo respeitando a opção das famílias, é preciso dizer que não são partos seguros”, afirmou a governante, em declarações aos jornalistas em Évora.

As declarações surgem na sequência de uma notícia do Expresso, que indica que 1.207 grávidas optaram por ter os filhos fora do hospital nos últimos sete anos, com base em dados da Associação Portuguesa dos Enfermeiros Obstetras. Segundo a mesma informação, entre as mais de 1.200 grávidas que escolheram não recorrer a unidades hospitalares, 220 (18,39%) acabaram por ser transferidas para serviços de urgência, sobretudo durante a fase ativa do parto (71,62%), devido a complicações.

A ministra alertou que mesmo uma gravidez considerada de baixo risco pode evoluir de forma imprevisível. “Um parto chamado normal e uma gravidez de baixo risco podem, de repente, deixar de o ser”, sublinhou.

Neste contexto, reforçou o apelo ao acompanhamento no SNS: “Dizemos a todas as grávidas que estão neste país: venham ter com o SNS. Estamos aqui para vos receber e acompanhar, porque o que não podemos ter é grávidas e bebés em Portugal que não sejam acompanhados”.

A governante destacou ainda a importância de manter os indicadores de saúde materna e infantil em níveis elevados. “Portugal tem o grande dever de manter as taxas de mortalidade infantil e materna dentro das melhores da Europa e do mundo”, afirmou, acrescentando que isso implica garantir segurança no parto.

Ana Paula Martins referiu também as medidas em curso para reforçar a resposta do sistema, nomeadamente a criação de urgências externas centralizadas de âmbito regional nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia. Segundo explicou, este modelo permitirá assegurar equipas “mais robustas e reforçadas”, aumentando a capacidade de resposta às necessidades das grávidas, ainda que o objetivo seja que estas soluções tenham caráter temporário.

SO/LUSA

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