4 Mai, 2022

Transplantado da medula em Portugal gasta até 100 euros/mês em medicação

Esta "situação pode multiplicar-se por muito anos” e leva muitos doentes a procurarem ajuda financeira, lembra a presidente da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas.

Os transplantados de medula em Portugal podem ter de despender até 100 euros por mês em medicação e uma parte deles necessita do apoio económico da Associação Portuguesa de Leucemias e Linfomas (APLL), revelou à Lusa a presidente.

A associação sediada no Porto assinala no sábado os 20 anos de existência com um encontro, a partir das 15:00, na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, que servirá, também, para fazer um balanço do trabalho desenvolvido, explicou Isabel Barbosa.

Assinalando que as “doenças malignas do sangue representam 10% de todos os cancros e que é quase impossível o diagnóstico precoce”, a dirigente da APLL quer, para o futuro, apostar na “literacia em saúde como uma das formas de luta contra este cenário”.

Até lá, a associação tem como certo o apoio mensal “aos doentes mais carenciados” para a “aquisição da medicação após saírem do hospital”, disse a responsável, sublinhando que recebem “cada vez mais pedidos de apoio”.

“Mensalmente, e uma vez em casa, há doentes que têm de gastar entre 50 e 100 euros para medicação. Por exemplo, um doente transplantado de medula pode ir para casa com medicação que chega aos 100 euros. E essa situação pode multiplicar-se por muito anos”, descreveu Isabel Barbosa.

Numa problemática com várias faces, a APLL é também solicitada para apoiar “na fase terminal das doenças”, através da “cedência de cadeiras de rodas, camas articuladas e contratação de cuidadores, porque se os doentes não vão para os cuidados paliativos ficam em casa”, disse.

Neste quadro, a “reinserção no trabalho que atinge, sobretudo, quem está na faixa etária dos 50 anos, pode também constituir um problema”, frisou a presidente da associação, assinalando que “apesar da doença estar controlada há dificuldades para regressar ao trabalho”.

“Nalguns casos a entidade patronal facilita e coloca-os em funções mais leves, mas há ex-doentes que não o podem fazer dadas as características do trabalho. Exemplo disso, é um motorista de longo curso, que depois de fazer um transplante dificilmente consegue retomar essas distâncias”, contou.

O combate a tudo isto, defendeu a responsável, passa por “investir na literacia digital para as pessoas com mais de 60 anos, dando-lhe acesso à informação que o hospital lhes faculta, produzindo conteúdos próprios, como vídeos, que são de mais fácil entendimento para os doentes”.

Entre os temas que serão debatidos no encontro de sábado estão o “Viver com o mieloma múltiplo” e os “Novos tratamentos para a Leucemia Mieloide Aguda”, estando ainda guardado um espaço para os testemunhos de doentes, cuidadores e voluntários, lê-se no programa.

LUSA

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