20 Out, 2016

Terapeutas não convencionais criam sindicato e reclamam títulos profissionais

Terapeutas não convencionais e integrativos criaram o primeiro sindicato do setor, que pretende agilizar o processo de emissão das carteiras profissionais pelo Ministério da Saúde.

O Sindicato Nacional das Terapêuticas Não Convencionais e Integrativas (Sindnat) tem como secretário nacional João Paulo Tomé, de Coimbra, que proclama a necessidade de a organização “cobrir todo o universo de profissionais” no ativo em Portugal.

“Vamos arranjar a força que ainda não temos. Precisamos de aliados, o que não precisamos é de arranjar inimigo”, defendeu.

Com a sua intervenção pública, o Sindnat “visa a dignificação dos profissionais”, um processo que “passa pela emissão urgente e rápida das carteiras” aos trabalhadores desta área, como previsto na lei.

Trata-se de uma prerrogativa do Ministério da Saúde (MS), através da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS), que emitiu “apenas 200 carteiras” nos últimos três anos, indicou João Paulo Tomé, que trabalha há 23 anos como naturopata. “É um processo muito lento”, lamentou.

O primeiro líder do Sindicato Nacional das Terapêuticas Não Convencionais e Integrativas revelou que os estatutos da organização aguardam publicação no Boletim do Trabalho e Emprego, o que deverá acontecer ainda em outubro.

Logo que a constituição do novo sindicato seja divulgada pela publicação oficial do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a direção realizará uma iniciativa pública para apresentar o Sindnat aos potenciais associados.

“Estamos fartos de apenas boas vontades”, afirmou, ao justificar a criação do sindicato.

João Paulo Tomé recordou que, ao longo dos anos, se têm sucedido iniciativas para resolver os problemas de um universo de especialistas que tem vindo a crescer, “mas nunca se chega a lado nenhum”.

O diploma relativo ao exercício profissional no domínio das terapêuticas não convencionais e integrativas entrou em vigor em 2003 e só dez anos depois se concretizou a sua regulamentação.

Entretanto, a ACSS reconheceu aptidão para exercer a atividade a cerca de 200 candidatos, mas quase 4.000 pedidos de carteira profissional deram entrada naquele departamento do MS, segundo o secretário nacional do sindicato.

“Há muita confusão dentro das estruturas do Ministério da Saúde, uma situação que se verifica também no Ministério da Educação (ME)”, criticou, ao abordar igualmente a necessidade de desenvolver o ensino superior nesta área.

Este é um problema de “pescadinha de rabo na boca”, comparou João Paulo Tomé.

“Enquanto não tivermos especialistas, com carteira profissional, não há gente para lecionar as disciplinas nas licenciaturas”, as quais, por esse motivo, não serão homologadas pelo ME, acrescentou.

O Sindnat declara-se “absolutamente apartidário” e vai ponderar a sua filiação nas duas centrais sindicais, CGTP e UGT, “se for possível”, admitiu João Paulo Tomé.

SO/LUSA

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