3 Nov, 2021

SNS. Número de horas extras prestes a ultrapassar recorde de 2020

Recurso a horas extraordinárias é, no atual contexto, a única forma de não provocar ruturas no SNS, que se debate com a falta de recursos humanos.

Segundo os dados disponibilizados no Portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a manter-se o ritmo atual, em breve será ultrapassado o número de horas extraordinárias efetuadas no SNS em 2020. Entre janeiro e setembro de 2021, já foram realizadas 16,9 milhões de horas extra, mais 36% do que em igual período do ano passado, avança o Público.

Só faltam pouco mais de 433 mil horas para o valor acumulado em todo o ano de 2020 ser ultrapassado, revelam os dados. “O pagamento de horas extraordinárias é, no atual contexto, a única forma de não provocar ruturas no SNS, porque não existem profissionais disponíveis no mercado de trabalho”, afirma o diretor do serviço de Medicina do Hospital de S. Francisco Xavier, Luís Campos.

Segundo acrescenta, no entanto, é “difícil” identificar os profissionais interessados na realização de trabalho adicional, uma vez que o preço das horas extra “foi muito reduzido durante a troika e ainda não recuperou”. Ainda assim, recorde-se que o Jornal de Notícias avançou que a despesa do ano passado atingiu os 334 milhões de euros com o pagamento destas horas.

Já a bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, revela que “os enfermeiros são os recordistas das horas extraordinárias. Há tantas horas acumuladas que alguns, se as gozassem, poderiam estar um ano sem trabalhar”. Portugal continua a ser um dos países com “o mais baixo rácio de enfermeiros por mil habitantes (4,6). Também o bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, denuncia o “défice grande de profissionais”. “Há profissionais a trabalhar muito mais do que deviam. Há médicos que chegam a trabalhar o equivalente a mais três ou quatro meses além dos restantes meses do ano”.

Numa altura em que disparou, de novo, a procura dos serviços de urgência e em que estas “estão a ficar bloqueadas por causa da descompensação de milhares de doentes crónicos”, a falta de profissionais ainda é mais notória. “Quando os doentes respiratórios começarem a aparecer em massa, vai ser o descalabro total”, alerta Miguel Guimarães.

SO

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