Cesarianas programadas registam forte aumento e já representam mais de 40% do total
A proporção de cesarianas programadas quadruplicou em 2025, passando a representar 41,3% de todas as cesarianas realizadas em Portugal continental. Os dados da Entidade Reguladora da Saúde revelam ainda que, no setor privado, este tipo de intervenção já corresponde a mais de metade das cesarianas efetuadas.

A proporção de cesarianas programadas aumentou de forma expressiva em 2025, de acordo com dados divulgados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), passando de 10,2% em 2024 para 41,3% do total de cesarianas realizadas no ano passado. No setor privado, estas intervenções representam já 55,3% de todas as cesarianas.
A ERS analisou a atividade das unidades de obstetrícia e neonatologia de Portugal continental durante 2025, com base nos relatórios das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e do setor não público. No total, foram registados 83.089 partos, mais 3,6% do que no ano anterior.
As regiões de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte concentraram 78% dos partos realizados, sendo que 80% aconteceram em unidades do SNS.
No que diz respeito à taxa de partos por cesariana, esta situou-se nos 39,1% em 2025, ligeiramente acima dos 38,7% registados em 2024, que já tinham representado uma subida face aos 38,2% de 2023.
A região Centro continua a apresentar a menor proporção de partos por cesariana, com uma taxa de 29%, considerando o conjunto das unidades públicas e privadas.
Os dados da ERS evidenciam ainda uma alteração significativa na distribuição dos diferentes tipos de cesariana. No conjunto do sistema, as cesarianas programadas aumentaram de 10,2% para 41,3%.
Fora do SNS, a taxa global de cesarianas manteve-se mais elevada, fixando-se nos 62%, embora tenha descido ligeiramente face aos 63,4% de 2024. Em contrapartida, as cesarianas programadas aumentaram de forma expressiva, passando de 10,2% para 55,3%.
Também as cesarianas urgentes cresceram no setor privado, de 38,8% para 42,3%. Já as cesarianas emergentes registaram uma redução acentuada, caindo de 51% para apenas 2,3%.
Nas unidades do SNS, a percentagem total de partos por cesariana foi de 33,3%, cerca de metade da verificada no setor privado. Ainda assim, também aqui aumentou o peso das cesarianas programadas, de 10,2% para 28,7%, bem como das urgentes, que passaram de 35,6% para 67%. Em sentido inverso, as cesarianas emergentes diminuíram significativamente, depois de terem subido de 7,5% em 2023 para 54,2% em 2024, fixando-se agora em 4,3%.
Segundo a norma da Direção-Geral da Saúde, uma cesariana urgente é realizada quando existe uma condição clínica que exige resolução num curto espaço de tempo, mas sem perigo iminente para a mãe ou para o feto. Já a cesariana emergente aplica-se quando esse risco é imediato e a intervenção deve ser efetuada o mais rapidamente possível.
Nas unidades do SNS predominaram as cesarianas urgentes e emergentes, que representaram 71% do total. Já nas unidades não públicas, a maioria das intervenções correspondeu a cesarianas programadas, com um peso de 55%.
A ERS refere ainda que as cesarianas são classificadas de acordo com a existência ou não de trabalho de parto. Em 2025, 58% das cesarianas ocorreram antes do início do trabalho de parto, proporção que foi de 52% no SNS e de 62% nas unidades não públicas.
LUSA/SO
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