19 Mar, 2018

Médicos em greve de 8 a 10 de maio. Bastonário apoia a paralisação

FNAM e SIM chegaram a acordo e agendam agora uma greve para 8, 9 e 10 de maio. Greve marcada para abril é, assim, cancelada - o que, diz o Ministro da Saúde, permite um alargamento do prazo para negociar. Bastonário dos Médicos apoia a paralisação.

Os dois sindicatos médicos decidiram esta segunda-feira convocar uma greve nacional conjunta para os dias 8, 9 e 10 de maio, numa resposta àquilo que dizem ser a ausência de respostas às suas reivindicações por parte do Ministério da Saúde. O bastonário dos Médicos já disse que os profissionais têm cada vez mais razões para fazer greve. Por outro lado, o ministro da Saúde

A decisão foi anunciada à agência Lusa no final de uma reunião do Forum Médico pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM). A FNAM tinha inicialmente previstos três dias de greve para abril, mas, segundo o dirigente João Proença, os dois sindicatos decidiram convergir e agendar uma paralisação conjunta de três dias para maio.

Entre as reivindicações dos sindicatos tem estado a redução da lista de utentes por médico de família e a diminuição de 18 para 12 horas semanais de serviço de urgência obrigatório.

A FNAM tem prevista uma manifestação para o primeiro dia de greve, 08 de maio, em Lisboa, uma ação de protesto à qual o SIM não se associa para já.

O dirigente da FNAM, João Proença, diz que a paralisação serve para tentar travar a atual política do Ministério da Saúde e para que seja alcançada “a dignidade dos médicos”.

Segundo o secretário-geral do SIM, Roque da Cunha, este sindicato vai “concentrar-se em primeiro lugar nas negociações” com o Governo. Roque da Cunha enalteceu, contudo, a “convergência na ação” das duas estruturas sindicais relativamente aos dias de greve.

O bastonário da Ordem dos Médicos considera que os profissionais têm cada vez mais razões para fazer greve e estimou uma forte adesão à paralisação prevista para maio. Em declarações à agência Lusa no final de uma reunião do Fórum Médico, Miguel Guimarães disse que dará todo o apoio aos médicos que decidam fazer greve.

“Cada vez há mais motivos para protestar. Têm todos os motivos e mais alguns, tanto que é difícil eleger os principais”, afirmou o bastonário. Além do que são as negociações sindicais, nas quais a Ordem dos Médicos não participa, Miguel Guimarães considerou necessário “potenciar as capacidades de negociação com o Ministério da Saúde”.

No que respeita às competências da ordem, o bastonário disse que será apresentado dentro de duas semanas um novo plano de negociações ao ministro da Saúde e que se esse plano será divulgado publicamente.

O ministro da Saúde reagiu ao anúncio, afirmando que terá agora mais tempo para negociar com os sindicatos dos médicos. “Dá-nos mais tempo para negociar e conversar (…) para que possamos também ir ao encontro de três ou quatro pontos que ainda estão em aberto”, afirmou à Lusa Adalberto Campos Fernandes, manifestando estar disponível para ir “tão longe quanto possível na satisfação das expectativas” dos médicos.

“O nosso limite é o da capacidade que temos com os recursos que temos”, acentuou, depois de ter participado no encerramento da conferência “Desafios da inovação e segurança de informação”, na Faculdade de Medicina de Lisboa.

LUSA/SO

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