12 Jun, 2021

“Sinais e sintomas inespecíficos fazem com que o diagnóstico da HP seja tardio”

A pneumologista Teresa Shiang reforça a necessidade da existir uma abordagem sistematizada das manifestações clínicas da hipertensão pulmonar (HP). Segundo a especialista é primordial que estas pessoas sejam acompanhadas logo desde os primeiros sintomas, pois quanto mais precocemente for diagnosticada a HP, mais cedo se poderá travar a sua progressão e evitar complicações clínicas.

De que forma é que os sintomas associados ao surgimento da hipertensão pulmonar podem ser confundidos com outras alterações biológicas?

Os sinais e sintomas da Hipertensão Pulmonar são inespecíficos, estão muitas vezes mascarados e apresentar os sintomas atrás mencionados não é suficiente para diagnosticar a doença. Estes sintomas, comuns a várias doenças e com várias causas, fazem com que frequentemente o diagnóstico de hipertensão pulmonar seja tardio. O diagnóstico exige, por isso uma elevada suspeição e uma abordagem sistematizada das manifestações clínicas.

São muitas as doenças que se podem acompanhar de HP. Globalmente, as que encontramos mais frequentemente são as doenças crónicas do foro respiratório, como a doença pulmonar obstrutiva crónica e a fibrose pulmonar ou as que afetam o “lado esquerdo do coração”, como as disfunções valvulares e do ventrículo esquerdo.

Outra causa de HP é o tromboembolismo pulmonar crónico. Neste caso, os doentes afetados apresentam redução do calibre e, até mesmo, obstrução das artérias pulmonares por coágulos, reduzindo, assim, o espaço por onde o sangue pode circular

Distinguir as diferentes formas de hipertensão pulmonar é frequentemente uma tarefa difícil que exige uma execução diferenciada de técnicas de diagnóstico e a colaboração de várias especialidades médicas.

Quais os principais sinais que devem deixar as pessoas em alerta, aquando do surgimento da hipertensão pulmonar?

Devido à inespecificidade dos sintomas e os primeiros sinais são subtis e difíceis de detetar. Deve haver suspeita clínica perante um quadro de dispneia de esforço e fadiga que não é explicado ou que é desproporcional à situação clínica do doente. Os achados no exame objetivo que podem reforçar a suspeita diagnóstica são hipoxia, sopro sistólico audível na área tricúspide ou sinais de insuficiência cardíaca direita, como edema nos membros inferiores, ingurgitamento jugular ou ascite, sendo que estes últimos aparecem numa fase tardia da doença.

Que conselhos deixa a estes doentes?

No caso de apresentar uma falta de ar inexplicável quando realiza tarefas diárias que habitualmente fazia sem dificuldade, é aconselhável que procure um médico. Quanto mais precocemente for diagnosticada a HP, mais cedo se poderá travar a sua progressão.

Uma vez estabelecido o diagnóstico, deve cumprir sem falhas o plano terapêutico por forma a evitar complicações.

Outras medidas gerais são também essenciais: o doente é aconselhado a ter um estilo de vida saudável o que inclui não fumar, ter uma alimentação variada e com baixo teor em sal e praticar exercício físico adaptado.

É ainda importante evitar fatores de descompensação tais como as infeções, vacinando-se contra a gripe e a pneumonia, tal como é igualmente determinante que estejam bem informados da doença e que exista espaço para colocar questões e esclarecer dúvidas.

Daniela Tomé
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