Sara descobriu a doença durante a pandemia

Testemunho de uma jovem a quem foi diagnosticada hipertensão pulmonar

Sou a Sara e tenho 23 anos. Sempre fui saudável, mas sempre tive alguns excessos como comer doces e beber coca-cola. O peso não era dos melhores, nunca passei dos 2 dígitos, mas comer doces era algo que me consolava.

Com o tempo, comecei a sentir-me cansada ao andar. Há cerca de 1 ano, no dia 28 maio, fui operada ao nariz por pensar que esse cansaço teria a ver com a má formação do septo nasal.

Uns dias depois da operação, julguei que respirava melhor, mas era difícil de avaliar devido ao congestionamento que sentia no nariz causado pela cicatrização.

Um mês depois, continuava a sentir cada mais dificuldade a respirar, uma sensação de aperto no peito e uma falta de ar horrível a ponto de parar mil vezes para descansar!

Fiz imensos exames ao coração e aos pulmões e todos os médicos disseram que não tinha nada, que se tratava de ansiedade. Receitaram-me antidepressivos, mas nunca tomei. Algo me dizia que não devia fazer essa medicação.

No final do ano passado, as coisas começaram a mudar drasticamente. Já sentia o meu coração a bombear demais, sentia-me cansada a andar, a subir rampas e escadas e até quando estava deitada.

Tomar banho e pentear o cabelo… Uma coisa tão básica que me fazia cair no chão sem força nas pernas!

No dia 8 março, Dia da Mulher, eu estava-me a sentir triste e doente. Já não conseguia andar… um passo era uma tortura para mim. Parecia que o meu coração ia rebentar a qualquer momento e sentia-me frustrada por não saber o que se passava comigo.

Todos diziam que era preguiça ou que simplesmente estava a fazer de propósito, mas na realidade eu sentia uma dor no peito e uma dificuldade em respirar que não desejo a ninguém. Cheguei a evitar sair de casa, só para não ter de voltar a subir escadas.

No dia 11 de março, sentei-me num banco de jardim e um senhor (um anjo caído dos céus!) veio ter comigo e disse: “Você tem problemas na máquina”. Confesso que, naquele momento, não prestei muita atenção ao que me dizia. Mas a verdade é que, nesse mesmo dia, fui parar às urgências com os batimentos cardíacos 140 bpm.

Foi nesse dia que me diagnosticaram uma insuficiência cardíaca direita. A médica que fez o diagnóstico dizia que eu já não ia sair do hospital por estar gravemente doente.

Caiu-me tudo! Só pensava: “Eu? O resultado não estará errado? Com 23 anos ter uma doença destas? Porquê eu?” Entrei numa fase de revolta comigo mesma, uma fase de negação.

Em plena pandemia, transferiram-me para o Hospital de Santa Maria para fazer o cateterismo. Estava cheia de medo e não queria passar aquele momento sozinha, mas a verdade é que não tive apoio de nenhum amigo.

A revolta surgiu cada vez mais e, todas as noites, naquele quarto, chorava e só pedia a Deus para não me levar já e para não me fazer sofrer.

Foi no ambiente frio e negro da sala de operações que me deram a notícia de que estava gravemente doente com hipertensão pulmonar. Segurei as lágrimas enquanto a médica falava comigo e, em pouco tempo, deixei de a ouvir. Fiquei completamente anestesiada.

Nesse mesmo dia comecei a tomar a medicação. Começaram a aparecer mais sintomas… era a doença a crescer dentro de mim. Só tinha medo de morrer, medo de sofrer com isto!

Uma semana depois, saí do internamento. Estava medicada e a andar pelo meu próprio pé, sem sentir um grama de cansaço como antes sentia, e o coração já estava a normalizar.

Começaram os ataques de ansiedade e o medo de dormir e nunca mais voltar a acordar. Tive medo dos sintomas. “O que era aquilo?” pensava eu. Uma dor no peito, uma falta de ar, uma tontura… era tudo muito desconhecido para mim e chorei muito. Tentei ser mais forte mas não consegui, porque tudo isto me abalou muito.

O médico que me acompanhava falou com a minha mãe, tendo-lhe dito que se eu não fosse tratada poderia ter apenas mais 2 anos de vida e que a maternidade estava fora de questão. Parece que o mundo desabou naquele instante e a tristeza aumentou para o dobro.

Neste preciso momento posso dizer que ultrapassei tudo. A medicação está a fazer efeito e o médico é incrível comigo. O cansaço? Não sinto mais! Já aceitei esta doença, aceitei-me como sou e ninguém vai mudar isso.

No passado dia 3 de setembro, fui à consulta onde me disseram que desci para o grau menos grave da doença! Deus não me levará tão depressa! VITÓRIA! Venci a ansiedade e ultrapassei a doença!

Hoje a doença não me incomoda mais, já faço tudo que sempre quis, ando mais rápido é já não choro. Porque a força que tive veio só dentro de mim. Fui uma guerreira! Sou uma lutadora e não vai ser esta doença que me vai matar.

E vou estar sempre aqui para vencer mais obstáculos. Estou doente, mas estável. E só rezo aos céus para uma cura rápida. E tu que lês estas minhas palavras, vais conseguir porque eu consegui. É uma questão de tempo.

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