8 Jul, 2021

Resistência à testagem e mentiras impedem quebra das cadeias de transmissão

A recusa em fazer o rastreio e o registo de informações falsas ou omissões têm dificultado o trabalho dos profissionais em acompanhar as cadeias de transmissão.

Os profissionais de saúde têm cada vez maior dificuldade em identificar e travar as cadeias de transmissão do vírus SARS-CoV-2. Em causa está a falta de colaboração dos portugueses, que cada vez mais recusam fazer testes e identificar os contactos de risco, alerta o Diário de Notícias.

“A situação está cada vez mais difícil, as pessoas mentem, recusam dar contactos e até fazer testes” explica um médico de saúde pública do Algarve, Luís Cadinha. Os profissionais estão cada vez mais exaustos com a falta de colaboração por parte da população.

“No início da pandemia encontrávamos situações de mentiras, de omissões ou de recusas só nos grupos mais vulneráveis”. No entanto, segundo revela o profissional que acompanha a pandemia desde o início, “agora a prática é generalizada”. “Já apanhámos casos de pessoas que estiveram infetadas e que passaram o processo todo sem avisar as autoridades”.

São situações como esta que esgotam todos os esforços que os profissionais de saúde fazem para a identificação e quebra das cadeias de transmissão, uma vez que, com a falta de contactos e de confirmação de resultados positivos, é impossível saber onde estas começam e acabam, o que contribui para o aumento explosivo do número de casos.

“Está a ser cada vez mais difícil identificar cadeias de transmissão. As pessoas reagem muito mais e temos tido algumas questões de má-educação”, revelou, ao DN, uma médica da região do norte. “Trabalho com uma equipa que está esgotada. Estamos a deparar com pessoas que não querem aceitar o isolamento, não querem fazer testes. As pessoas reagem muito mais e temos tido algumas questões de má-educação”.

Segundo reforçam os profissionais de saúde, além da falta de recursos humanos que contribui para o aumento da sua carga de trabalho, estes estão cada vez mais exaustos com o facto de terem de lidar com estes “constantes obstáculos” associados ao comportamento das pessoas.  “Começamos a ficar cansados disto tudo”, desabafa.

SO

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