11 Mai, 2018

PSD e CDS pedem demissão do ministro da Saúde

Sociais democratas dizem que Adalberto Campos Fernandes "já não existe" e que o ministro das Finanças “tomou de assalto” o Ministério da Saúde. CDS desafia o ministro a sair ou a "deixar de ser Centeno".

O PSD pediu hoje a demissão do ministro da Saúde, considerando que, perante o “descalabro” no setor é a única atitude que se espera.

O repto foi lançado num debate parlamentar pelo deputado social-democrata Ricardo Batista Leite, que considerou que “o ministro da Saúde já não existe” e que o ministro das Finanças “tomou de assalto” o Ministério da Saúde.

“Se o ministro da Saúde é um mero delegado do ministro das Finanças, é porque temos um primeiro-ministro irresponsável que o permite, que assiste impávido e sorridente à destruição progressiva dos serviços”, afirmou o deputado do PSD.

Para Ricardo Batista Leite, os “portugueses estão cada vez mais doentes” e o atual Governo transformou “o Serviço Nacional de Saúde no Serviço Nacional da Doença”.

Já ontem o CDS tinha sugerido a Adalberto Campos Fernandes que abandonasse o cargo, naquilo que foi a primeira reação dos centristas às dificuldades de resposta do serviço de oncologia do Hospital de Santa Maria.  “Estas semanas, estes meses, estes anos têm sido marcados por denúncias que chocaram o pais pela ausência de capacidade de reposta do Estado numa matéria tão essencial como a saúde”, afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Para o líder da bancada centrista, “não deixa de ser irónico que a esquerda que tanto fala do Serviço Nacional de Saúde esteja aos poucos a matá-lo”. “Ou o senhor ministro resolve os problemas e deixa de ser Centeno ou saia para que outro resolva os problemas, os profissionais do setor não acreditam no ministro, o país não acredita no ministro”, afirmou, num apelo dirigido a Adalberto Campos Fernandes e numa referência a uma frase que este utilizou para dizer que no Governo todos estão com o ministro das Finanças, Mário Centeno.

O CDS-PP já entregou um conjunto de perguntas no parlamento dirigidas ao ministro da Saúde, onde lhe pede que confirme que o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está sem capacidade de resposta para o elevado número de doentes oncológicos que a ele recorre.

Os democratas-cristãos querem ainda saber se foram adiados tratamentos, qual a justificação do Governo e que medidas vão ser tomadas para resolver a situação, nomeadamente ao nível da contratação de médicos.

Também ontem, o PSD, pela voz do vice-presidente da bancada Adão Silva, considerou igualmente inaceitável a situação denunciada no Hospital de Santa Maria e lembrou que, no passado, foram relatados problemas em outras unidades de tratamento oncológico, como o Hospital de São João, no Porto, ou o IPO de Lisboa.

“Estas situações são inaceitáveis, a culpa é do senhor ministro da Saúde e do senhor ministro das Finanças”, responsabilizou Adão Silva, que classificou como “decisão atabalhoada” a possibilidade de os utentes escolherem a unidade do SNS onde querem ser tratados.

LUSA

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