24 Out, 2018

Profissionais de Saúde e Educação reunidos para debater dificuldades de aprendizagem

Nos próximos dias 25, 26 e 27 de outubro, o Fórum Lisboa abre portas ao IV Congresso Internacional – Dislexia e dificuldades de aprendizagem. O Saúde Online falou com o Prof. Rafael Pereira, um dos oradores deste evento, que reforçou a importância do trabalho conjunto entre as áreas da Saúde e da Educação.

Ao longos dos três dias, vão decorrer palestras e cursos, onde profissionais nacionais e internacionais vão trocar conhecimento e debater temas como o funcionamento cerebral, as dificuldades de leitura, escrita e matemática, o autismo, o processamento auditivo, o processamento visual, o défice de atenção, a avaliação das dificuldades de aprendizagem, os novos métodos de alfabetização, as emoções na aprendizagem, entre outros.

SO | Quais são as principais dificuldades de uma criança com dislexia?

Prof. Rafael Pereira (RP) | A maior dificuldade das crianças com dislexia, ou perturbação de aprendizagem específica de leitura e da escrita, tem a ver com a dificuldade no processo de leitura. São jovens que têm uma velocidade de leitura muito mais reduzida, dificuldades na consciência fonológica, ou seja, em fazer rimas e a manipulação daquilo que é a linguagem oral para a linguagem escrita.

No pré-escolar já é possível identificar vários sinais, não são as características principais, porque isso só se deteta mediante uma avaliação disciplinar nesse sentido. Contudo, conseguimos verificar algumas dificuldades relacionadas com a consciência fonológica, na memória, que é sempre mais reduzida e pouco funcional, e na linguagem.  Não sabendo se é dislexia, podemos fazer uma intervenção precoce ao nível das competências que ainda não estão adquiridas.

SO | Que desafios enfrentam os profissionais que trabalham com estas crianças? 

RP | O principal desafio é no contexto de sala de aula. O profissional está sozinho com turmas desfasadas em termos de número, e estas crianças devem estar incluídas. Não falo apenas de integração, mas no acesso à mesma informação que os colegas de forma adaptada, e é nesse sentido que devemos trabalhar.

SO | O que se pode esperar desta quarta edição do Congresso Internacional – Dislexia e dificuldades de aprendizagem?

RP | Quando começámos o congresso tivemos algum receio em relação ao sucesso do evento. Já vamos na quarta edição com mais de 350 inscritos e esperamos mais no dia 25, data de abertura. Vamos debater as dificuldades de aprendizagem, a nível nacional e internacional, com especialistas desta área.

SO | Qual a importância de promover o trabalho conjunto entre estas duas áreas?

RP | Quando trabalhamos com um jovem que tem uma perturbação no desenvolvimento ou dificuldade de aprendizagem, falamos de um trabalho que deve ser multidisciplinar e não devemos colocar em lados opostos a educação e a saúde.

É importante que a saúde perceba o papel da educação, e vice-versa. É exatamente essa a inovação deste congresso, é permitir que estes profissionais de uma forma conjunta consigam integrar e articular conhecimento em prol destas crianças.

O ideal seria que as escolas tivessem sempre ligação com a saúde. Por exemplo, uma criança que é medicada para a PHDA, a escola deveria porque é que esse tratamento está a ser feito e com que objetivo, de forma a que escola perceba o uso da medicação e desenvolva uma forma de interação de acordo com a mesma, através de programas cognitivos adaptados a essa terapêutica, de forma a que possa resultar num sucesso maior.

SO | Considera que nos últimos anos houve uma evolução no que toca à atenção dada às perturbações da aprendizagem?

RP | Temos várias perturbações de desenvolvimento e aprendizagem ao nível da leitura (dislexia), escrita (disortografia), da matemática (discalculia), da caligrafia percetível, e também a PHDA e o autismo. Atualmente, sinto-me mais satisfeito do que há uns anos pela atenção que é dada a estas questões.

Cada vez temos mais participantes nestes debates e é importante para que conheçam o contexto de sala de aula, assim como o clínico, para que possam também trabalhar melhor com estas crianças no dia-a-dia.

Saúde Online 

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