2 Dez, 2021

Procura de consultas “cada vez maior” no Hospital Psiquiátrico Conde Ferreira

A pandemia “causou um desequilíbrio no funcionamento dos indivíduos”, diz a diretora clínica da instituição, Rosa Gonçalves.

Ainda que o número de doentes internados no Centro Hospitalar Conde Ferreira (CHCF), no Porto, se tenha mantido “estável” durante a pandemia, a procura por primeiras consultas de psiquiatria e psicologia é “cada vez maior”, revelou a diretora clínica.

Questionada sobre se a pandemia da covid-19 poderia ter espoletado o aumento de doenças do foro mental em estadio grave, a diretora clínica do Centro Hospitalar Conde Ferreira, Rosa Gonçalves, afirmou à Lusa que, efetivamente, a pandemia “causou um desequilíbrio no funcionamento dos indivíduos”.

“Mas não resultou necessariamente num aumento tão significativo das doenças mentais como tem sido veiculado”, defendeu.

Ao longo da pandemia da covid-19, o número de doentes internados no Centro Hospitalar Conde Ferreira foi-se mantendo “estável”, uma vez que o plano de contingência apenas permitia fazer internamentos urgentes e pressupunha 14 dias de isolamento profilático, bem como a realização de testes à covid-19 antes da admissão e internamento.

“Estas medidas de proteção, bem como outras, permitiram-nos manter os doentes a salvo”, afirmou Rosa Gonçalves, considerando que os doentes psiquiátricos graves que se mantiveram internados “tiveram mais sorte” do que dos que estavam na comunidade e que foram “esquecidos durante o período pandémico”.

“Muitos destes doentes deixaram de ter consultas regulares ou de ter assistência em centros de dia ou de reabilitação, que tiveram de fechar durante os períodos de confinamento”, lembrou.

Defendendo que “patológico seria não reagir a uma situação de crise” como a que vivemos, Rosa Gonçalves acredita que um grupo considerável de indivíduos que sofreram uma rotura do equilíbrio da sua saúde mental “vão conseguir encontrar um novo equilíbrio numa realidade que já não é a mesma”, mas “sem necessidade de ajuda especializada”.

No entanto, os indivíduos que, previamente saudáveis, desenvolveram sintomas de ansiedade e depressão, bem como perturbações de pânico e aditivas ao álcool ou outras drogas, são os que mais preocupam a diretora clínica.

“É para estes indivíduos que urge aumentar a capacidade de resposta dos serviços especializados para doenças mentais, porque temos de estar preparados para os atender”, referiu, considerando que estas doenças “vão aumentar mais” quando surgirem as repercussões económicas e sociais da pandemia.

Preparados ou não, no Centro Hospitalar Conde Ferreira, tem-se assistido a “um número cada vez maior de primeiras consultas”.

“Tem sido necessário reforçar as consultas de psiquiatria e psicologia, de modo a dar uma resposta célere e de qualidade a todos os que recorrem à consulta externa”, afirmou.

Para a diretora clínica, urge também uma “adaptação estrutural” dos serviços de saúde mental para lidar com o risco acrescido das morbilidades psiquiátricas, seja ao nível de programas de rastreio ou de intervenção precoce que visem “controlar não apenas os efeitos agudos, mas também os efeitos a longo prazo ou crónicos desta pandemia”.

LUSA

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