30 Mai, 2019

Presidente do IPO do Porto estava em gestão há mais de dois anos

Laranja Pontes está à frente do IPO há mais de 13 anos mas deveria ter sido substituído no início de 2017. IPO fez 11 contratos por ajuste direto com uma empresa de Manuela Couto, também detida ontem.

O médico José Maria Laranja Pontes, que preside ao Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto desde o dia 31 de dezembro de 2005, está em gestão corrente há quase dois anos e meio, adianta o jornal Público. O último mandato para o qual foi nomeado terminou no final de 2016.

O médico, que é especialista em cirurgia plástica e reconstrutiva, trabalha no IPO há cerca de 30 anos. Reconduzido pela última vez no cargo em 2014 (devido à limitação de mandatos), Laranja Pontes deveria ter sido substituído no início de 2017.

O gabinete da ministra da Saúde, Marta Temido, garante que a substituição de Laranja Pontes estava a ser equacionada há algum tempo e estava para breve”. Durante os 13 anos e meio em que dirigiu a instituição, o médico foi alvo de várias críticas. Uma das mais contundentes veio da parte do atual bastonário da Ordem dos Médicos, que, em janeiro de 2016, classificou como “mais uma estupidez do presidente do IPO do Porto” a ordem dada pelo conselho de administração do IPO para serem controlados os bens que entram nas instalações, dando poder aos seguranças para revistarem sacos e malas.

Laranja Pontes foi detido esta quarta-feira, no âmbito da Operação Teia, que investiga crimes de corrupção, tráfico de influências e participação económica em negócio. Segundo a acusação, Laranja Pontes favoreceu empresas da mulher do presidente da câmara de Santo Tirso, Manuela Couto (ambos detidos). Uma consulta ao portal Base permite perceber que o IPO contratou uma das empresas de Manuela Couto, a Mediana (um grupo de comunicação), por 13 vezes só nos últimos dois anos – período em Laranja Pontes já estava em gestão. A maior desses contratos – 11 – foram feitos por ajuste direto, num total de mais de 360 mil euros.

Tiago Caeiro

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