7 Mai, 2019

Presidente da APIFARMA diz que suborçamentação crónica fragiliza SNS

Na tomada de posse, o presidente eleito da APIFARMA alertou que “a imposição de tectos irrealistas, por via de uma subestimativa economicista das reais necessidades terapêuticas, pode limitar o acesso dos doentes aos melhores tratamentos"

Na tomada de posse dos Órgãos Sociais da APIFARMA, que decorreu ontem, em Lisboa, João Almeida Lopes, presidente eleito, apelou à presença da Saúde em todas as políticas, face “ao papel transversal a toda a sociedade e ao impacto económico ímpar” da área.

Uma meta que, reconhece, é difícil de alcançar devido “à suborçamentação crónica do Serviço Nacional de Saúde”, que conduz  a uma situação de frágil sustentabilidade, falta de equidade e eterna dívida aos fornecedores, com prováveis consequências nos resultados em saúde”.

Para Almeida Lopes, Portugal não escapará a esta realidade enquanto mantivermos um nível de financiamento público da saúde muito abaixo das necessidades dos portugueses. E acrescenta: “devemos ambicionar um nível de investimento público em linha com o horizonte de riqueza do país, como aliás sucede na generalidade dos países europeus”.

Em paralelo, aponta, “é necessário combater a ideia que a Saúde é apenas sinónimo de despesa e que o medicamento é a sua principal causa”. Pelo contrário, assegura. A evidência  disponível mostra que, “as novas tecnologias de saúde contribuem decisivamente para que vivamos mais tempo, com mais qualidade de vida e podem contribuir, ainda mais, para um envelhecimento saudável e activo dos portugueses”

Na sua intervenção, João Almeida Lopes afirmou ainda que “enquanto associação da indústria farmacêutica, nos temos de bater para que sejam criadas condições para o acesso dos doentes portugueses às novas tecnologias de saúde, medicamentosas e não só. Acreditamos que nenhum de nós se sente confortável se Portugal for considerado na cauda da OCDE em termos de adopção efectiva da inovação” disse. Para isso, pede “rigor científico, transparência, critérios claros e mecanismos de decisão suportados em aprofundadas opiniões interpares”.

O Presidente da APIFARMA alertou ainda que “a imposição de tectos irrealistas, por via de uma subestimativa economicista das reais necessidades terapêuticas, pode limitar o acesso dos doentes aos melhores tratamentos disponíveis”.

 

Miguel Mauritti

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