27 Dez, 2021

Portugal tem apenas metade dos rastreadores necessários para responder à pandemia

Com o número de contágios a crescer, as equipas que fazem o seguimento dos infetados e das cadeias de transmissão têm falta de meios. Militares já foram chamados.

Portugal precisaria de pelo menos mais 400 a 500 profissionais para fazer o rastreio das cadeias de transmissão da pandemia de Covid-19, atendendo ao aumento sustentado dos contágios nas últimas semanas. Segundo a Direcção-Geral da Saúde (DGS), estão alocadas aos inquéritos epidemiológicos cerca de 550 pessoas. No entanto, ao jornal Público, o matemático Carlos Antunes alerta que seriam precisos pelo menos mil.

Os recursos disponíveis ficam, assim, aquém das necessidades. “Para uma média diária de 4200 casos deveríamos ter 700 rastreadores. Temos um défice muito grande e que se reflete na redução da percentagem de contactos rastreados. A percentagem era de 80%, passou para 68% e no último para 62%. Com menos contactos rastreados torna-se mais difícil quebrar novas cadeias de transmissão”, avisa o especialista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Muitas unidades de saúde pública, sobretudo na região de Lisboa e Vale do Tejo, já não estão a conseguir responder às necessidades. Desta forma, tem vindo a diminuir a percentagem de inquéritos epidemiológicos feitos nas primeiras 24 horas, período essencial para estancar as cadeiras de transmissão.

Perante o esperado aumento da pressão sobre os profissionais que acompanham os infetados e as cadeias de contágio, o governo deu indicação, ainda antes do Natal, para um “reforço das equipas de vigilância epidemiológica”. No entanto, apesar de estarem a ser mobilizados alguns recursos humanos (como estudantes de enfermagem e medicina), o reforço não é suficiente, o que está a obrigar ao recrutamento de militares para estas tarefas.

Segundo o jornal Inevitável, as Forças Armadas, que já tinham 90 militares no terreno, vão adicionar mais homens e mulheres ao seguimento dos infetados e às pessoas em vigilância ativa após pedidos de reforço de meios feitos pelas Administrações Regionais de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo e também do Norte, onde a situação epidemiológica se começa também a agravar substancialmente.

SO

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