29 Dez, 2021

Portugal deve atingir 37 mil casos de infeção na primeira semana de janeiro

A ministra da Saúde admite que Portugal está "com uma ligeira aceleração face às previsões” do Instituto Ricardo Jorge.

Portugal deverá atingir 37 mil novos casos de infeção com o coronavírus SARS-CoV-2 na primeira semana de janeiro, mais do dobro do máximo de 17.172 registados ontem, disse hoje à Lusa a ministra da Saúde, Marta Temido.

Segundo Marta Temido, o número de novas infeções registadas, o maior desde o início da pandemia, correspondia já às previsões do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) para o próximo dia 29.

Estamos, portanto, com uma ligeira aceleração face a essas previsões”, disse a ministra da Saúde em declarações à agência Lusa no Ministério da Saúde.

As previsões apontam também para que em 07 de janeiro sejam atingidos mais de 37 mil novos casos, disse Marta Temido, sublinhando que o risco de transmissão efetivo está em 1,3, o que é “muito elevado”, com uma estimativa de tempo de duplicação de oito dias.

“Como infelizmente antecipámos, estamos perante um crescimento muito intenso do número de casos e provavelmente manter-se-á este ritmo de crescimento nos próximos dias”, alertou a ministra.

“Se conseguirmos cumprir responsavelmente as medidas que temos em vigor a nossa expectativa é de que consigamos reduzir este ritmo de transmissão e ganhar tempo para mais vacinação, para mais proteção”, adiantou.

Marta Temido lembrou que o período de contenção, que foi antecipado uma semana, teve início no sábado e que “é preciso que o tempo aconteça” para se poder ver “alguns resultados”.

“No entretanto, é muito importante que cada um de nós cumpra rigorosamente o teletrabalho, as orientações de isolamento quando elas são aplicadas, o evitar de contactos desprotegidos e, caso seja elegível, a vacinação”, insistiu.

Questionada sobre se haverá um reforço de medidas até ao fim do ano perante a evolução da pandemia, Marta Temido disse que ainda passou “muito pouco tempo” sobre as medidas tomadas na passada terça-feira para que pudessem entrar em vigor em 26 e 27 de dezembro.

“Sabemos que este vírus precisa de algum tempo para que as medidas não farmacológicas, de contenção, como o evitar contactos, o cancelamento de algumas atividades, produzam o seu resultado e temos que ter a capacidade de nos adaptarmos a essa realidade e aguardarmos algum tempo para ver os efeitos daquilo que decidimos”, salientou.

No entretanto, acrescentou Marta Temido, houve um conjunto de aspetos “nos dias mais recentes que poderão ter suscitado mais contactos e até maior número de resultados de testes positivos”, aumentando os casos.

“As pessoas testaram-se muito, e bem, antes dos eventos do Natal, mas também estiveram mais expostas”, disse, reiterando que é preciso tempo para avaliar o efeito deste período.

Marta Temido adiantou que irá manter-se a avaliação que o INSA tinha referido de que deveriam ser feitas duas avaliações, uma no dia 29 de dezembro e uma no dia 4 de janeiro, dos modelos de previsão da evolução da variante Ómicron.

“Estamos a acompanhar também o peso da variante Ómicron no nosso país, sabemos que ela continua a crescer, já o estimávamos e temos, portanto, que resistir com aquelas medidas que tínhamos programado”, defendeu.

Apontou, entre outras medidas, a vacinação, o reforço de respostas de saúde pública em termos de Linha de Saúde 24, dos inquéritos epidemiológicos e depois “cada um a fazer a sua parte”.

LUSA

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